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Universidade de Coimbra lidera luta pela democratização do conhecimento

A Universidade de Coimbra é co-líder de projeto europeu que pretende lutar pelo acesso gratuito e aberto ao conhecimento científico, contando com um financiamento de 5,6 milhões de euros.

O projeto TRIPLE, apresentado na Biblioteca Joanina, envolve 18 instituições de 12 países europeus e recebeu um financiamento de 5,6 milhões de euros do programa Horizonte 2020 para criar uma plataforma digital multilinguística para a partilha de resultados de publicações científicas, com um foco na área das humanidades e ciências sociais.

A plataforma, segundo a nota explicativa do projeto, vai permitir também o contacto direto de cidadãos, empresas e decisores políticos com os investigadores, bem como lançar campanhas de ‘crowdfunding’.

Para o reitor da Universidade de Coimbra, Amílcar Falcão, esta iniciativa é um passo na luta “pelo acesso gratuito da sociedade aos resultados académicos” das universidades, sendo também uma oportunidade para se eliminarem “barreiras injustas”.

“O sistema da indústria de publicações de conhecimento académico está assente num modelo extremamente lucrativo, mas perverso”, criticou o reitor, referindo que os investigadores têm de pagar para publicar o artigo na maior parte das situações e, caso queiram ter acesso à revista, têm de pagar novamente.

Amílcar Falcão vincou que o conhecimento não pode ficar “aprisionado” e que instituições como a Universidade de Coimbra (UC) não podem ser “meros espectadores perante o aumento incontrolável dos custos exigidos por monopólios de editoras científicas”.

“A publicação em jornais de acesso aberto tem de ser valorizada”, defendeu.

O vice-reitor para a Cultura e Ciência Aberta, Delfim Leão, referiu que as despesas associadas em subscrições de revistas científicas representam um encargo para a Universidade de Coimbra de centenas de milhares de euros anuais.

O projeto TRIPLE pretende “robustecer as revistas académicas” e editoras associadas a instituições “que não têm capacidade para sozinhas se afirmarem num mundo competitivo”, sendo necessário estarem juntas para adquirirem “outra visibilidade”.

A plataforma, de acesso aberto, vai funcionar com um motor de pesquisa que associa as publicações dessas revistas e editoras de universidades associadas ao projeto.

“O objetivo é abranger o máximo de instituições possível”, por forma a poder ser uma plataforma global, disse.

Na cerimónia, marcou presença o ministro da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior, Manuel Heitor, que salientou que o desígnio da ciência aberta exige “a participação de todos e a abertura do conhecimento”.

Sobre o projeto, Manuel Heitor vincou que este é um primeiro passo naquilo que é um “processo complexo”, face a uma crescente “privatização do conhecimento”.

A plataforma associada ao projeto deverá entrar em funcionamento em 2022.