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Francisco Moita Flores: “Sinto-me filho de uma pátria sem limite”

Francisco Moita Flores, autor português e antigo inspetor da Polícia Judiciária (PJ), foi entrevistado pelo BOM DIA durante a sua mais recente visita ao Luxemburgo, onde marcou presença no 33º Festival das Migrações, das Culturas e Cidadanias.

Natural de Moura, distrito de Beja, Moita Flores confessa ter tido uma infância feliz: “era tempo de aprender a brincar, aprender a liberdade, de aprender a vida.”. Sonhava, já nessa altura, vir a ser escritor e detetive – funções que viria a acumular mais tarde.

“Entrei na PJ por acidente”, assume. “Era viciado na leitura e nos filmes policiais”. Adquiriu este gosto com o seu pai, homem que admirava. No entanto, o autor não esquece Manuel Marques da Cruz, antigo professor, e o verdadeiro responsável pelo seu interesse na Língua Portuguesa: “Devo-lhe a descoberta de Camões e dos grandes autores.”.

Também a censura, da qual diz ter sido alvo, lhe despertou o interesse pela literatura. “Percebi que os livros eram perigosos porque eram proibidos, e as armas não o eram (…) Um livro pode ser uma grande ferramenta de combate”.

Em 1969, Moita Flores opôs-se ao regime, mas hoje em dia olha para Portugal com otimismo. “Temos muita pena de nós (…) mas esquecemo-nos que somos os produtores da quinta língua mais falada no mundo.”.

Por entre histórias do seu passado enquanto investigador da PJ e da importância que dá à família, Francisco Moita Flores recorda, ainda, a sua passagem pelo mundo da política: “Foi uma boa experiência, mas não tenho saudades nenhumas”.

O entrevistado revelou ainda que se encontra a desenvolver uma série televisiva e também uma peça de teatro, dois projetos que pretende lançar em breve.

Falou-se ainda da decadência da imprensa escrita e do fenómeno das “fake news”, temas sobre os quais se mostrou preocupado, uma vez que “as redes sociais permitem a expansão da liberdade sem responsabilidade.”.

Por fim, Moita Flores dirigiu-se a todos os ouvintes e leitores do BOM DIA, despedindo-se com “um abraço em português”.

Veja a entrevista na íntegra aqui: