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Luso-americana inicia volta ao mundo de mota

A luso-americana Aida Valenti, residente nos Estados Unidos, partiu no final de julho de Riverhead, no Estado de Nova Iorque, para uma volta ao mundo de mota que só termina em 2019 em Portugal.

“Adoro a liberdade de estar numa mota. O mundo é mais fácil de aceitar quando estás em duas rodas, o vento, o sol, até a chuva e o frio. Todos os sentidos são aumentados. És só tu e a tua maquina”, disse Aida Valenti à agência Lusa.

A luso-americana, de 43 anos, nasceu nos EUA, mas mudou-se para Montejunto Novo, concelho do Cadaval, com os pais portugueses ainda criança e foi lá que despertou a paixão por motas.

“Tirei a carta de mota em Portugal aos 16 anos, mas comecei a andar na ‘scooter’ do meu pai quando tinha oito anos para ir à mercearia da esquina fazer compras para a minha avó”, lembra.

Depois de casar em Portugal, e de aí ter o seu primeiro filho, mudou-se para os EUA, onde já fez toda a costa leste dos EUA, desde o Canadá até à Flórida, várias vezes, conduziu até ao Arizona e passou por 33 estados.

“Queria viajar pelo mundo há já 12 anos, mas a minha filha ainda era pequena. O meu irmão, António, era o parceiro inicial, mas entretanto também teve filhos”, diz.

O companheiro de viagem de Aida acabou por ser o amigo Paul Arcaria. Ambos decidiram conduzir uma Suzuki DR 650, porque são motas simples, populares em todo o mundo e podem utilizar as mesmas peças e ferramentas em caso de avaria.

Os dois amigos prepararam a viagem nos últimos seis meses, sem apoio financeiro e com alguns patrocínios de material, um processo que Aida considera ter sido “difícil e stressante”.

“Comprar e modificar as motas foi uma tarefa difícil. Depois tivemos de planear as rotas, ser vacinados, preparar medicação, equipamento de campismo… a lista era interminável, mas era importante prever todos os percalços”, diz, explicando que “viver com os mínimos será um ajustamento, mas no final de tudo viver com menos será uma bênção”.

Os desafios logísticos e o desconforto de uma viagem tão longa não são, no entanto, a parte mais difícil da viagem.

“O maior sacrifício é deixar o meu marido e os meus filhos. Vou viver coisas novas todos os dias, mas sem eles, e isso será um pouco agridoce”, explica.

Aida e Paul vão acampar durante grande parte do tempo, apenas alugando hotel quando precisarem de mais descanso, mas contam com a solidariedade das pessoas que forem encontrando ao longo do caminho.

“Há uma grande ligação com as outras pessoas que andam de mota, quase como um parentesco. É uma experiência maravilhosa chegar a uma cidade como um estranho e partir como um amigo”, diz.

Portugal será o ponto final nesta viagem de dois anos, mas países como Chile, Argentina, Brasil, Itália, Grécia, Cazaquistão ou Camboja também fazem parte do roteiro.

“Estou com grandes expectativas em relação a tudo, acho que cada local tem algo para oferecer. Nalguns sítios pode não ser uma vista linda, mas um rosto que te acolhe que partilha uma refeição contigo”, diz.

Aida, que é fotógrafa profissional, vai documentar a sua viagem na Internet, na página de Facebook “Life Unloaded RTW”, e no Foto Comunidades, um jornal da comunidade portuguesa do Estado de Nova Jérsia.