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Trabalhadores em greve da CGD-França suspendem manifestação

Os trabalhadores da Caixa Geral de Depósitos (CGD) em França suspenderam a manifestação prevista para esta sexta-feira junto à Embaixada de Portugal, em Paris, devido a um “período de tréguas” acordado para o período em que decorrem as negociações.

O “período de tréguas” foi pedido pelo mediador nomeado pelo Tribunal de Grande Instância de Paris que está a assistir às reuniões de negociação entre a direção, os sindicatos que apoiam a greve e os sindicatos não aderiram à paralisação.

“A manifestação desta sexta-feira foi suspensa devido ao período de tréguas enquanto duram as reuniões de negociação. O mediador pediu as tréguas a todas as partes e, por isso, não vão ser feitas declarações aos jornalistas durante este período”, disse à Lusa Lurdes Monteiro, delegada sindical da Force Ouvrière, um dos sindicatos que apoia a greve, que começou a 17 de abril.

Lurdes Monteiro precisou que a greve se mantém durante “período de tréguas” e explicou que “se as negociações não avançarem, não haverá outra solução senão fazer novas manifestações contra a alienação da sucursal francesa da Caixa”, depois de 10 protestos já realizados e de 10 semanas em greve.

O mediador foi nomeado pelo Tribunal de Grande Instância de Paris, em 12 de junho, e começou por reunir-se com os sindicatos que apoiam a greve e com os que não aderiram ao protesto bem como com a direção, tendo participado, esta quarta-feira, na primeira reunião de negociações conjunta.

Na terça-feira, aquando da décima manifestação em Paris, questionada sobre quando poderia acabar a greve, Lurdes Monteiro disse que, face à recusa da CGD em dar aos trabalhadores o plano de reestruturação, o que permite o fim do conflito “são as garantias no que diz respeito ao emprego dos colegas”, algo que “não tem custos absolutamente nenhuns se o banco guardar a sucursal”.

“Nós sabemos que em Portugal obtiveram 2,1 meses de salário por ano de antiguidade, com um ‘plafond’ de 60 meses e tudo isso sem greve. Nem foi preciso greve para obterem um acordo desses. Ora, aqui em França a direção propõe, neste momento, 1,5 meses de salário por ano de antiguidade e um ‘plafond’ de 160.000 euros, o que só é interessante para os grandes salários”, disse.

O Tribunal de Grande Instância de Paris decidiu a intervenção de um mediador nas negociações entre sindicatos e direção, na sequência de uma ação judicial da CGD a pedir à justiça francesa a presença dos sindicatos não grevistas nas negociações – algo que era contestado pelos sindicatos grevistas – e para esta “ordenar à comissão de negociações e intersindical FO-CFTC para cessar o movimento social” e para “proibir à comissão de negociações e à intersindical FO-CFTC de iniciar qualquer movimento social constitutivo de um abuso de direito de greve”.

Após a intervenção do mediador, o tribunal vai voltar a pronunciar-se sobre o caso em 05 de julho e, em 26 de junho, o mesmo tribunal vai pronunciar-se sobre o pedido da intersindical FO-CFTC para ter acesso ao plano de reestruturação acordado entre o Governo português e Bruxelas.

A redução da operação da CGD fora de Portugal (nomeadamente Espanha, França, África do Sul e Brasil) foi acordada em 2017 com a Comissão Europeia como contrapartida da recapitalização do banco público.

Em 10 de maio, Paulo Macedo afirmou querer manter a operação da CGD em França e adiantou que está a negociar isso com as autoridades, apesar de ter sido também acordada a sua venda, mas acrescentou que isso só acontecerá se a “operação for sustentável, rentável e solidária” com os esforços feitos pelo banco.

A redução da operação da CGD acordada com a Comissão Europeia passa também pelo fecho de 180 balcões em Portugal até 2020, cerca de 70 agências encerram ainda este ano, entre as quais a maioria já este mês, de acordo com comunicado do banco público.

Em 2017, fecharam 67 balcões, pelo que, com o encerramento destas 70 agências, a CGD terá ainda de fechar mais 43 balcões nos próximos dois anos.