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Papa Francisco: a Igreja precisa de um processo de cura

O Papa disse este domingo no Vaticano que a Igreja Católica precisa de um “processo de cura”, falando na Missa que inaugura oficialmente o processo sinodal que decorre até 2023.

Perante centenas de pessoas reunidas na Basílica de São Pedro, Francisco sublinhou que o Sínodo deve conservar a sua dimensão espiritual, “para que não seja uma convenção eclesial, um congresso de estudos ou um congresso político, para que não seja um Parlamento, mas um evento de graça, um processo de cura conduzido pelo Espírito Santo”.

Simbolicamente, a procissão de entrada contou com a presença de um grupo de 25 pessoas “representando todo o povo de Deus e os diferentes continentes”, informa a Santa Sé.

O Papa defendeu que, tal como Jesus Cristo, a Igreja deve seguir pelas “estradas por vezes acidentadas da vida”, ao encontro dos outros, porque “Deus não habita em lugares asséticos, em lugares pacatos, distantes da realidade”.

“Ao abrir este percurso sinodal, comecemos todos (Papa, bispos, sacerdotes, religiosas e religiosos, irmãs e irmãos leigos) por nos interrogar: nós, comunidade cristã, encarnamos o estilo de Deus, que caminha na história e partilha as vicissitudes da humanidade?”, declarou.

Francisco precisou que o Sínodo implica “caminhar pela mesma estrada, em conjunto”.

“Permitimos que as pessoas se expressem, caminhem na fé – mesmo se têm percursos de vida difíceis -, contribuam para a vida da comunidade sem serem estorvadas, rejeitadas ou julgadas?”, questionou.

A reflexão apontou três verbos centrais para este processo de consulta às comunidades católicas: “encontrar, escutar, discernir. Nós, que iniciamos este caminho, somos chamados a tornar-nos peritos na arte do encontro; peritos, não na organização de eventos ou na proposta duma reflexão teórica sobre os problemas”.

O Papa convidou os católicos a “dar espaço à oração, à adoração, àquilo que o Espírito quer dizer à Igreja”, deixando-se “tocar pelas perguntas das irmãs e dos irmãos”.

“Jesus chama-nos a esvaziar-nos, a libertar-nos daquilo que é mundano e também dos nossos fechamentos e dos nossos modelos pastorais repetitivos, a interrogar-nos sobre aquilo que Deus nos quer dizer neste tempo e sobre a direção para onde Ele nos quer conduzir”, prosseguiu.

Francisco admitiu que aprender a escuta recíproca, entre bispos, padres, religiosos e leigos é “um exercício lento, talvez cansativo”, mas sublinhou que é necessário evitar “respostas artificiais e superficiais”.

“Fazer Sínodo é colocar-se no mesmo caminho do Verbo feito homem: é seguir as suas pisadas, escutando a sua Palavra juntamente com as palavras dos outros”, apontou.

O Papa presidiu este sábado, também no Vaticano, à sessão de abertura da 16ª assembleia geral do Sínodo dos Bispos, com o tema “Por uma Igreja sinodal: comunhão, participação e missão”.

O percurso sinodal inclui um processo alargado de consulta às comunidades católicas, decorrendo de forma descentralizada, pela primeira vez, com assembleias diocesanas e continentais.