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Incêndio destrói o “Ninho da Águia”, casa na montanha de Hitler

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Um incêndio de grandes dimensões destruiu quase por completo o Kehlsteinhaus, conhecido como “Ninho da Águia”, um edifício histórico situado nos Alpes bávaros, no sul da Alemanha, que foi utilizado pelo regime nazi como local de representação e receção de convidados estrangeiros. As autoridades alemãs detiveram um homem de 33 anos suspeito de ter provocado o fogo, que deflagrou na noite de sexta-feira, 23 de outubro. Não há registo de vítimas.

O alerta foi dado pouco depois das 21 horas, quando o sistema de deteção de incêndios do edifício assinalou a presença de fumo. Os primeiros meios de socorro chegaram ao local às 21h52, mas encontraram o edifício já completamente tomado pelas chamas.

Cerca de 200 operacionais, entre bombeiros, equipas de emergência, elementos da polícia e da proteção civil de montanha, participaram nas operações de combate ao incêndio. A localização do edifício, a 1834 metros de altitude, dificultou o acesso dos meios de socorro. A chuva e a queda de neve também condicionaram os trabalhos.

Segundo as autoridades, não se encontrava ninguém no interior do edifício quando deflagrou o incêndio. Não foram registados feridos.

As chamas provocaram danos tão extensos que o edifício ficou praticamente destruído. A polícia alemã abriu uma investigação para apurar as causas do incêndio, com fortes suspeitas de fogo posto.

O principal suspeito foi intercetado nas proximidades do local, quando conduzia um motociclo vermelho sem matrícula. De acordo com as informações divulgadas pelo canal público regional BR24, trata-se de um cidadão alemão de 33 anos com ligações à região de Berchtesgaden.

O responsável pela operação policial, Gerhart Holzinger, afirmou, numa conferência de imprensa realizada este sábado, que existem indícios significativos de que o homem terá provocado o incêndio. O suspeito já foi interrogado pelas autoridades.

O Ministério Público de Traunstein indicou que foram identificados sinais que poderão apontar para problemas de saúde mental e para uma eventual diminuição da capacidade de culpa. Foi elaborado um parecer médico e as autoridades pretendem que o homem seja internado numa instituição psiquiátrica forense. Não foram identificados, até ao momento, indícios do envolvimento de outras pessoas.

A investigação prossegue para esclarecer as circunstâncias exatas do incêndio e a motivação do suspeito.

Governo da Baviera quer reconstruir o edifício

O ministro do Interior da Baviera, Joachim Herrmann, manifestou a intenção de reconstruir o Kehlsteinhaus, afastando a possibilidade de deixar o edifício reduzido a ruínas.

“É importante que continuemos a fazer trabalho de memória”, afirmou o governante, citado pelo BR24, defendendo a preservação da dimensão histórica do local.

O edifício pertence ao Estado da Baviera e está abrangido por um seguro, segundo as informações divulgadas pelas autoridades regionais. Ainda não foi apresentado um calendário para a reconstrução, nem são conhecidos os custos associados à recuperação.

O incêndio representa uma perda significativa para um dos locais históricos mais conhecidos da região, tanto pela sua ligação ao regime nazi como pela sua utilização posterior como espaço de visita e de interpretação histórica.

Um símbolo do passado nazi transformado em atração turística

Concluído em 1938, o Kehlsteinhaus foi construído no âmbito do complexo de Obersalzberg, uma área montanhosa que integrou o centro de poder do regime de Adolf Hitler. O edifício destinava-se a receber dirigentes nazis e convidados estrangeiros, tendo sido utilizado para encontros e receções diplomáticas.

Apesar de ser frequentemente apresentado como a residência de montanha de Hitler, o “Ninho da Águia” não era a sua principal residência na região. O ditador utilizava sobretudo o Berghof, situado nas proximidades. O Kehlsteinhaus foi usado com menor frequência do que a sua fama posterior poderia sugerir.

Após a Segunda Guerra Mundial, o edifício foi preservado e transformado, em 1952, num restaurante de montanha. O espaço incluía também uma exposição dedicada à história do local e ao seu contexto durante o regime nacional-socialista.

A sua localização, com vistas sobre os Alpes e a região de Berchtesgaden, contribuiu para o tornar numa das atrações turísticas mais conhecidas da Baviera. Segundo o BR24, o local recebia cerca de 350 mil visitantes por ano.

O incêndio destruiu também parte das condições materiais que permitiam aos visitantes conhecer a história do edifício. Sven Keller, responsável pelo Centro de Documentação de Obersalzberg, lamentou a perda das oportunidades de esclarecimento histórico e de debate proporcionadas por locais desta natureza.

Para o historiador, apesar do passado controverso do edifício, espaços como o Kehlsteinhaus permitem confrontar os visitantes com a história e estimular a reflexão sobre os crimes e as consequências da ditadura nazi.

A intenção anunciada pelo Governo regional de reconstruir o edifício deverá, assim, abrir um novo debate sobre a preservação do património histórico, a memória do nacional-socialismo e a forma como estes lugares devem continuar a ser apresentados às gerações futuras.

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