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Deputada portuguesa relatora de iniciativa no domínio da igualdade de género

Foi hoje aprovado em Comissão o relatório para a igualdade de género nos meios de comunicação da União Europeia. Enquanto relatora pelo grupo socialista do Parlamento Europeu, Liliana Rodrigues destaca a inclusão de quotas nos incentivos a implementar pelos Estados-membros, com vista à igual representação de mulheres e homens ao nível das posições de liderança nos meios de comunicação, ponto que é, no seu entender, de “extrema importância, uma vez que as mulheres continuam a deparar-se com um ‘teto de vidro’ no acesso a posições de tomada de decisão, onde se encontram muito sub-representadas”.

Para além da questão das quotas, a deputada madeirense logrou ainda que o relatório incluísse recomendações ao nível da promoção da igualdade salarial, da conciliação entre a vida pessoal e profissional, do combate ao assédio, da literacia para os media no ensino, da formação dos profissionais nas questões de género ou ainda acerca da constituição de uma base de dados de mulheres especialistas em diversas áreas para que possam ser chamadas a comentar os diversos assuntos na ordem do dia.

Em jeito de balanço, Liliana Rodrigues declarou ter-se tratado de “uma negociação difícil e intensa, com a direita a assumir uma posição demasiado conservadora ao acreditar que o problema da desigualdade e da discriminação de género nos meios de comunicação se resolve apenas com boa-fé e auto-regulação”. A deputada socialista assume que gostaria de “ter ido mais longe”, nomeadamente com a “implementação de regulação e sanções a nível europeu”, mas que esse objetivo foi “sistematicamente bloqueado pelo Partido Popular Europeu, muitas vezes com o apoio da extrema-direita”.

Liliana Rodrigues confessa ter-lhe custado, particularmente, a reprovação da proposta de inclusão de um provedor independente para a igualdade de género nas empresas públicas de comunicação social, medida sugerida pela Direcção do Sindicato de Jornalistas, sinal de que “há uma certa direita neste Parlamento que não entende o importante papel que os media têm no combate aos estereótipos e às desigualdades.”

Estudos efetuados, nomeadamente o Global Media Monitoring Project (2015), mostram que as mulheres representam apenas 24 % das pessoas que ouvimos ou lemos nas notícias; que apenas cerca de 37 % das histórias são comunicadas por mulheres, uma situação que não apresentou melhorias nos últimos dez anos; que, na maioria dos casos, as mulheres são convidadas a dar uma opinião popular (41 %) ou a relatar uma experiência pessoal (38 %) e raramente são citadas como peritas (apenas 17 % das histórias) e ainda que menos de um em cada cinco peritos ou comentadores são mulheres (18 %).