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Marta Temido: fora de linha

Marta Temido está fora da realidade. Compreende-se. Não tem experiência como utente, ainda que cada um sinta a sua própria dor, a sua realidade. Demagogia é que não, ainda que (possa ser) intencional mas que se informe junto dos seus pares. Só que é astúcia da Ministra.

A Ministra da Saúde, Marta Temido, indignou-me. Diz a senhora que a falha no atendimento telefónico, quase generalizada pelos centros de saúde portugueses – e digo eu – nalguns hospitais, se deve ao facto desses serviços estarem saturados por via da imensa procura. Reitero: há tempo era mais localizado. Hoje lemos queixas à beça pelas redes sociais e órgãos sérios de Comunicação Social (CS).

Marta Temido, ao longo destes meses de pandemia, até nem vinha gerindo a coisa muito mal. A Graça Freitas reconheço-lhe capacidade técnica enquanto clínica e investigadora, mas quanto a gerir a pandemia estamos falados ou nem falamos. Tendo à cabeça António Costa, o Primeiro-Ministro, que tem sido efectivamente um resistente – “resistente e corredor de fundo” como me chamou uma médica espanhola há uns anos na Urgência do Hospital Senhora da Oliveira, em Guimarães, quando ao fim de 27 (vinte e sete) horas me resgatou do total abandono numa maca acabando por ficar dois meses internado e uma doença crónica.

Entre o princípio da pandemia – e a segunda vaga, cabendo a cada um de nós entender se estamos na segunda vaga, se já no início da terceira, Marta Temido vem dizer que a falha quase generalizada do não atendimento de chamadas telefónicas é consequência da demasiada procura do serviço e não – o que chega a parecer! – concertação entre alguns quadros de Saúde. Recorde-se que a maioria continua a receber o seu salário ao fim do mês.

Por partes: na minha cidade a falha de atendimento telefónico é coisa desde há vários anos. Para obviar isso solicitei um endereço electrónico.

Nesta fase, nestes meses tornou-se o caos – uma coisa indizível. Quem até aí dizia que não tinha dificuldade em ser atendido ao telefone, e por fim o correio electrónico, mudou de ideia.

Não será por falta de pessoal, nos diversos serviços.Talvez uma planificação e reestruturação dos quadros. Há anos vejo acotovelarem-se entre alguns, como que a profetizarem o cumprimento de agora. (…)

– Temos que este meu exemplo é para que a Ministra saiba, que “eu sei do que estou a faalaaar…”

Quando Marta Temido vem dizer que é pontual, quem sabe o que ela diz, ainda que capciosamente, fica ofendido na integridade de português, na qualidade de utente, e na qualidade de observador. Mas que quem ouve a Ministra a falar, diz: Coitada! Tem razão. A gente cai toda em cima dos serviços telefónicos, a coisa satura. – Uso de serviços telefónicos – não presenciais, sobretudo, condição imposta pela senhora Ministra e por todos os serviços que dela emanam.

Não é verdade, senhora Ministra. Este e outros procedimentos são recorrentes, são hábito de antes da pandemia.

(Não pratico deliberadamente o chamado Acordo Ortográfico)

 

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