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Festival de cinema português no Reino Unido

A cumplicidade entre o cinema e a música dá o mote à nona edição do festival Utopia de cinema português no Reino Unido, que vai ter sessões em Londres, Liverpool e Bristol.

“O objetivo é o de chamar a atenção do espectador para a importância da música na construção das narrativas cinematográficas, no prazer da cinefilia, valorizar e trazer o foco para o trabalho do compositor e dos profissionais que constroem a banda sonora”, afirmou a diretora do festival, Érica Rodrigues, à agência Lusa.

O destaque do programa, que vai prolongar-se de 30 de outubro a 29 de novembro, vai para a projeção de “Lisboa, Crónica Anedótica”, de Leitão de Barros, a três de novembro no Ciné Lumière, sala que faz parte do Instituto Francês, em Londres.

A produção muda portuguesa será acompanhada ao vivo com música original composta pelo britânico Neil Brand, que faz este tipo de trabalhos com a cinemateca britânica – o British Film Institute – e compôs partituras para filmes do início do século XX.

“O Neil Brand já tem uma relação anterior com o cinema mudo português, os tesouros do arquivo do ANIM (Arquivo Nacional de Imagens em Movimento), tendo feito acompanhamento musical ao piano no Festival Underscore em 2017. A partir daí, convidar o Neil Brand para voltar a a entrar em diálogo com o cinema de arquivo português foi um passo natural e ele aceitou prontamente”, referiu Érica Rodrigues.

“Lisboa, Crónica Anedótica” estreou-se na capital a um de Abril de 1930, mostrando, entre a ficção e o documentário, figuras e ambientes típicos da cidade.

Ainda num registo mudo, o filme teve na altura banda sonora original composta por Frederico de Freitas, Juan Fabre e António Melo, ilustrando musicalmente episódios da vida lisboeta.

Com argumento e realização de Leitão de Barros, o filme apresentava também pequenas rábulas de humor protagonizadas por artistas como Beatriz Costa, Vasco Santana, Eugénio Salvador, Adelina Abranches, Chaby Pinheiro, Alves da Cunha, Ester Leão, Teresa Gomes e Irene Isidro.

O festival arranca na terça-feira com a celebração do 20.º aniversário do prémio Nobel de José Saramago, quando será projetada “Embargo”, a adaptação ao cinema pelo realizador português António Ferreira em 2010 do conto homónimo que faz parte da obra “Objecto Quase”.

A sessão, na universidade King’s College de Londres, coincide com o primeiro de dois dias de uma conferência académica sobre a obra de Saramago e literatura lusófona, terá a participação do ator Filipe Costa.

O mesmo filme será apresentado em 27 de novembro na Universidade de Liverpool, que também vai mostrar “A Fábrica de Nada”, de Pedro Pinho, a um de novembro.

Exibido no Festival de Cinema de Londres em 2017, tem um elenco de atores profissionais e amadores e segue a vida de um grupo de operários que tentam segurar os postos de trabalho, através de uma solução de autogestão coletiva, e evitar, assim, o encerramento de uma fábrica.

“A Cidade Onde Envelheço”, uma coprodução luso-brasileira com realização de Marília Rocha, que venceu o Prémio Kino Sound Studio do Júri da Competição Portuguesa, na edição 2016 do festival, também vai ser exibido.

O filme centra-se em duas mulheres que se reencontram no Brasil mas, enquanto uma delas “vive momentos de descoberta e encantamento com o novo país onde deseja se instalar”, a outra deseja voltar a Lisboa.

A coprotagonista Francisca Manuel vai estar presente na sessão de quatro de novembro no cinema FACT Liverpool, mas o filme terá uma segunda projeção na embaixada do Brasil, em Londres, no dia 28 de novembro.

O festival encerra com o documentário “O Labirinto da Saudade”, de Miguel Gonçalves Mendes, uma adaptação cinematográfica da obra homónima do filósofo Eduardo Lourenço, a 29 de novembro, na universidade de Bristol.

O festival é financiado pelo Instituto Camões e tem o apoio da Embaixada de Portugal no Reino Unido.

Veja o trailer de “A Cidade Onde Envelheço” abaixo: