As deputadas do Chega, Rita Matias e Madalena Cordeiro, acompanhadas por vários militantes, interromperam a emissão da Rádio Universidade de Coimbra (RUC). Inspirada em episódios de outros tempos, a iniciativa de Rita Matias contrasta com a liberdade que o partido diz defender. A deputada foi identificada pela PSP, na sequência de uma manifestação que não cumpria os requisitos legais. O caso levanta questões sobre a liberdade de imprensa, e a RUC anunciou que vai apresentar queixa.
André Ventura, em defesa das deputadas, afirmou que “tudo o que defende a liberdade e o pluralismo merece o meu apoio”. Uma declaração que merece reflexão, sobretudo quando o direito à palavra se confunde com o direito de calar os outros. Para o Chega, as regras são excelentes quando lhe são favoráveis; quando não são, surgem os protestos, as imposições e o espectáculo.
Não deixa de ser curioso que um partido tão crítico dos 52 anos de democracia encontre virtudes nos 48 anos da ditadura salazarista. A liberdade conquistada em Abril parece incomodá-lo mais do que a falta dela que a precedeu.
Fica a questão: se, sem governar, o Chega já protagoniza episódios desta natureza, que faria com o poder nas mãos? Em nome da liberdade, muito barulho e uma vontade simples: que prevaleça a sua.
Mário Adão Magalhães
(Não pratico deliberadamente o chamado Acordo Ortográfico)