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Venezuela: proprietários invadidos pedem ajuda à UE

Um grupo de cidadãos estrangeiros, entre eles o comerciante português António dos Santos, foram à delegação da União Europeia na Venezuela para pedir atenção e apoio no caso das suas propriedades invadidas na capital do país, Caracas.

António dos Santos disse hoje aos jornalistas que está impedido de entrar num restaurante do qual é proprietário e que lhe foram dados por grupos de civis afetos ao regime 15 dias para retirar os seus haveres de casa, invadida em 2020.

“Hoje, depois de 20 anos (com o restaurante), não tenho trabalho, não tenho nada”, frisou António dos Santos.

Conhecidos por “coletivos”, estes grupos de civis afetos ao regime frequentemente carregam armas, circulam em motorizadas e atuam com violência.

“Fui ao Ministério Público, à Promotoria de Justiça, à antiga Polícia Técnica Judiciária (agora Corpo de Investigações Científicas, Penais e Criminalísticas, CICPC) e isto ficou assim”, afirmou.

A acompanhar os emigrantes esteve Carlos Júlio Rojas, coordenador da Frente de Defesa do Norte de Caracas, que explicou aos jornalistas que só em 2021 foram denunciadas 93 tentativas de invasão de propriedades privadas em Caracas.

Segundo Rojas, 25% das vítimas destes casos que ocorrem em Caracas são cidadãos europeus e as invasões são “perpetradas por grupos armadas e em muitos casos apoiados pelo Governo de Nicolás Maduro”.

“Podemos ver como a nacionalidade de espanhóis, italianos e portugueses se converte em um motivo xenófobo para invadir as suas propriedades. Por isso, pedimos à União Europeia que investigue estes casos, que entreviste as dezenas, para não dizer centenas de vítimas de violações de propriedade privada, que chegaram à Venezuela há 50 e 60 anos”, disse aos jornalistas.

Rojas anunciou também que vai apoiar as vítimas a pedir “assistência jurídica” às embaixadas de Portugal, Espanha e Itália, na Venezuela.

O espanhol Orencio Mariñas explicou que, em 06 de maio de 2020, 20 homens armados invadiram um edifício na zona oeste de Caracas, onde tinha o seu negócio.

“Eles chegaram à noite, ameaçaram a porteira, tomaram conta do edifício e entraram (…) havia quatro empresas de produção que tinham 135 empregos que foram perdidos e deixaram quatro proprietários a passar fome”, explicou Mariñas.

Este cidadão estrangeiro precisou ainda que tem 82 anos, que chegou à Venezuela com 17 anos de idade e que se prepara para regressar a Espanha, o seu país de nascimento “sem um centavo”.

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