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Unesco: diplomacia portuguesa determinante para reconhecimento do Bom Jesus

O Presidente da República destacou na sexta-feira o “papel essencialíssimo” da diplomacia portuguesa no reconhecimento pela UNESCO do Bom Jesus do Monte, em Braga, como Património Mundial, salientando que aquela distinção significa “júbilo, gratidão, emoção e responsabilidade”.

Numa sessão que serviu para assinalar o final das obras de restauro do Bom Jesus e a classificação pela Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO, em inglês) como Património Mundial, Marcelo Rebelo de Sousa apontou que “também faz parte da mensagem” consagrada por aquele organismo “o contrário da xenofobia, do fechamento, da exclusão” como obrigações resultantes daquela distinção.

“[De realçar] o papel essencialíssimo da nossa diplomacia, essencialíssimo, o que é uma ironia, porque se a providência divina atuou em força foi nas pessoas dos nossos embaixadores, porque nenhum deles era propriamente devoto do Senhor de Bom Jesus do Monte e acabaram por ficar mais devotos que muitos dos devotos de muitos séculos de tão bem conhecerem a candidatura”, apontou o chefe de Estado.

Marcelo Rebelo de Sousa realçou, por isso, depois de agradecer o papel da diocese na pessoa do arcebispo Jorge Ortiga, da autarquia e da Confraria do Bom Jesus, o papel de Sampaio da Nóvoa e Morais Cabral no processo que culminou com a distinção pela UNESCO em 07 de julho, em Baku, no Azerbaijão.

“[O] embaixador Sampaio da Nóvoa tinha que ‘politear’ as duas candidaturas ao mesmo tempo [do Bom Jesus e da Basílica de Mafra] e de forma a que ambas fossem vencedoras num contexto que nós sabemos como é complexo. É-lhe devida uma palavra muito especial de gratidão”, salientou.

“E depois o embaixador Morais Cabral, que tinha uma tarefa não menos complexa que era de, no meio de outras candidaturas a candidaturas, conduzindo uma gestão complexa do processo até ele chegar à parte final em que o senhor embaixador Sampaio da Nóvoa tem de defender duas candidaturas. Isto mostra como a nossa diplomacia é excecional”, concluiu.

Quanto ao processo de classificação e aquilo que ele representa para o futuro, Marcelo salientou quatro palavras: “Jubilo, gratidão, emoção e responsabilidade”.

“Primeiro júbilo, naquela longa madrugada de 06 e 07 de julho em que esperámos atentamente uma decisão que estava a ser preparada e que culminava um processo de tantos anos. Todos nós partilhávamos a angústia da espera e depois, no fim, o júbilo da chegada da boa nova”, descreveu.

Depois, continuou, “gratidão para os protagonistas da fase final que culminou na decisão de 07 de julho”, salientando o papel do Jorge Ortiga que “não só acreditou como transformou esta luta numa luta essencial no seu múnus como arcebispo primaz de Braga”.

A terceira palavra é emoção. “É emocionante este momento, é verdade que temos outros exemplos de reconhecimento pela UNESCO da excelência de Portugal, mas isso não retira a emoção a este momento”.

E, por fim, a “última palavra, responsabilidade”, referiu.

“Começa hoje uma nova fase histórica. O reconhecimento da UNESCO é cheio de obrigações de cuidar do património, do ambiente envolvente, de zelar até ao mais ínfimo pormenor, tudo isso é acompanhado. Há que vigiar. Teremos todos que ser vigilantes para merecermos o que foi alcançado agora”, advertiu.

Para o chefe de Estado, “também faz parte da mensagem consagrada na decisão da UNESCO a abertura aos outros, o contrário da xenofobia, o contrário do fechamento, daquilo que é exclusão, do diferente, do diverso”.

O Presidente da República terminou o discurso, que encerrou e cerimónia na qual foram ainda homenageados alguns dos principais atores da candidatura do Bom Jesus do Monte à UNESCO, com as mesmas palavras com que começou, mas deixou um aviso.

“Júbilo, gratidão, emoção e responsabilidade. Valeu a pena lutar por este momento, mas agora começa um novo desafio, estar à altura da declaração, da decisão do reconhecimento da UNESCO”, declarou.