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Sobre as declarações repetidamente infelizes de Paulo Rangel relativas à Venezuela

O candidato ao Parlamento Europeu Paulo Rangel não perde uma oportunidade para fazer declarações infelizes sobre questões relacionadas com a Venezuela, um tema delicado que exige bom senso, ponderação e sentido institucional. Paulo Rangel não tem nenhuma destas qualidades, como mais uma vez fica provado pela pressão que faz a partir do seu Facebook para que o Governo tome uma posição sobre a prisão de Roberto Marrero, chefe de gabinete de Juan Guaidó, reconhecido pela maioria dos países da União Europeia e por Portugal presidente interino para preparar o processo eleitoral de transição de forma livre, pacífica e democrática.

Se Paulo Rangel conhecesse realmente a comunidade portuguesa na Venezuela, por quem diz lutar, saberia que os portugueses querem firmeza quando é necessário, como teve o Governo aquando da expropriação e saque de estabelecimentos comerciais e da prisão de gerentes de duas cadeias de supermercados portugueses, obtendo a respetiva reparação e a libertação dos nossos concidadãos de imediato. E onde estava Paulo Rangel nessa altura? Onde estava antes de Agosto do ano passado que não se vêm manifestações suas de preocupação sobre a Venezuela, que então já vivia há muito tempo a angústia da degradação da situação política, económica e social?

O candidato do PSD às europeias tem como lemas da sua campanha a “frontalidade” e a “credibilidade”, mas falta-lhe uma e outra. A sua credibilidade é tanta como uma nota de 500 bolívares e a sua frontalidade não passa de uma excitação pueril e frenética de quem não tem qualquer sentido de Estado nem de solidariedade nacional num assunto que tem de ser gerido com precaução, precisamente para proteger a comunidade portuguesa. Mas como a única coisa que aparentemente interessa ao candidato do PSD é dar visibilidade à sua campanha eleitoral, não hesita em instrumentalizar de forma leviana a dramática situação da Venezuela, sem sequer pensar que assim pode estar a fazer mais mal que bem à comunidade portuguesa.

Precisamente para proteger a comunidade e não causar mais ansiedade do que a que já existe, a situação na Venezuela é um assunto que exige serenidade e seriedade, que deve procurar unir e não dividir, que exige alinhamento com a União Europeia e convergência de posições, como de uma maneira geral até existe entre o PS e o PSD na Assembleia da República, portanto em contradição com as repetidas declarações a despropósito de Paulo Rangel.

Tal como as declarações do candidato do PSD não tinham qualquer credibilidade quando acusava o Governo de forma totalmente infundada de não fazer nada para apoiar a comunidade, também neste caso se tratam de declarações que erram o alvo, porque as posições do Governo através do Ministro Augusto Santos Silva em relação ao regime na Venezuela são claras, como se pode ver, muito particularmente, pelas últimas audições na Comissão dos Negócios Estrangeiros da Assembleia da República, mas não só.
Melhor seria que Paulo Rangel se deixasse de populismos e tivesse bom senso e sentido de responsabilidade.

Paulo Pisco
Coordenador dos deputados do PS na Comissão dos Negócios Estrangeiros e Comunidades Portuguesas