Saída de Luís Ferraz da DGACCP: Foram quatro anos de elevado desgaste e exposição mediática
“A minha exoneração ocorreu a meu pedido, considerando que quatro anos à frente de uma Direção-Geral de elevado desgaste e exposição mediática, é razão para um cansaço elevado”, declarou ao BOM DIA, Luís Ferraz, que até à semana passada liderou a Direção-Geral dos Assuntos Consulares e das Comunidades Portuguesas (DGACCP).
Ferraz aproveita a ocasião para recordar as evoluções que liderou durante o mandato como “patrão” da DGACCP do Ministério dos Negócios Estrangeiros (MNE), recordando “o estado da rede consular quando assumi funções, vide o Consulado-Geral de Londres” e remetendo para a posição do Conselho das Comunidades Portuguesas sobre a evolução positiva da rede nestes quatro anos.
A DGACCP tem atividades que vão além da gestão dos serviços consulares e Luís Ferraz lembra que, durante a sua passagem pela DGACCP, organizou 12 evacuações de cidadãos nacionais de zonas de conflito e teve de gerir situações de crise securitária em outros pontos geográficos como Moçambique ou Angola. “São razões para desgaste”, afirma.
A inauguração a 6 de novembro das novas instalações da DGACCP no Convento do Sacramento, “marca em si um fim de ciclo com chave de ouro”, considera o diplomata.
Ferraz revela que o seu futuro está acordado há algum tempo entre si e o Ministro dos Negócios Estrangeiros, Paulo Rangel, “porém a aguardar que o meu colega em funções as cesse”. O diplomata reitera que saiu a pedido, “e esse requisito não constou do decreto de exoneração porque eu não quis”.
Relativamente à operação Gambérria, o embaixador recusa qualquer ligação entre a sua exoneração e o envolvimento de uma funcionária da DGACCP. “Quanto ao processo a que me pretende associar, tratou-se da conclusão de uma investigação de alguns anos envolvendo uma rede mais complexa, cujos contornos não poderei revelar por razões óbvias, e como calculará se respigasse sobre mim não seria agora, mas na altura”, conclui.