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Sabia que azul é a cor mais rara na Natureza?

O azul é a cor mais rara na natureza. Agora, uma equipa de cientistas descobriu que a razão por trás disso se prende com a química e a física. 

Mas porque é que a cor azul é tão rara? A resposta está ligada com a química e a física de como as cores são produzidas — e de como as vemos.

Os seres humanos apenas detetam a cor azul porque cada um dos nossos olhos contém entre 6 a 7 milhões de células sensíveis à luz chamadas cones. Nos olhos de cada pessoa com uma visão de cor dita normal existem três tipos diferentes de cones — e cada tipo é mais sensível a um determinado comprimento de onda de luz: vermelho, verde ou azul.

A informação de milhões de cones chega ao nosso cérebro através de sinais elétricos que comunicam todos os tipos de luz que são refletidos pelas coisas que estamos a ver, o que é então interpretado como diferentes tonalidades de cor.

Quando olhamos para um objeto colorido, como uma safira cintilante, “o objeto está a absorver alguma da luz branca que cai sobre si. Como absorve alguma dessa luz, o resto da luz que é refletida tem uma cor“, explica o escritor científico Kai Kupferschmidt, autor de “Blue: In Search of Nature’s Rarest Color”, em declarações ao Live Science.

No espectro visível, o vermelho tem longos comprimentos de onda, ou seja, tem muito pouca energia em comparação com outras cores. Para uma flor parecer azul, “precisa de ser capaz de produzir uma molécula que possa absorver quantidades muito pequenas de energia“, para absorver a parte vermelha do espetro, disse ainda Kupferschmidt.

Gerar tais moléculas — que são grandes e complexas — é difícil para as plantas, razão pela qual as flores azuis são produzidas por menos de 10% das quase 300 mil espécies de plantas com flor no mundo.

Um possível motor da evolução das flores azuis é que o azul é altamente visível para polinizadores como as abelhas, e a produção de flores azuis pode beneficiar plantas em ecossistemas onde a competição por polinizadores é elevada, disse Adrian Dyer, professor associado e cientista no Royal Melbourne Institute of Technology em Melbourne, na Austrália, à ABC.

Quanto aos minerais, as suas estruturas cristalinas interagem com os iões para determinar que partes do espectro são absorvidas e quais são refletidas.

A lazulita, que é extraída no Afeganistão e produz o raro pigmento azul ultramarino, contém iões trissulfuretos — três átomos de enxofre unidos dentro de uma malha de cristal — que podem libertar ou ligar um único eletrão.

“Essa diferença energética é o que faz o azul”, disse Kupferschmidt. As cores dos animais azuis não provêm de pigmentos químicos — dependem da física para criar uma aparência azul.

As borboletas de asas azuis do género Morpho têm nanoestruturas intrincadas e em camadas nas suas escamas de asas que manipulam camadas de luz, de modo a que algumas cores se anulem mutuamente e apenas o azul seja refletido.

O mesmo acontece em estruturas encontradas nas penas de gaios azuis (Cyanocitta cristata), nas escamas de tangs azuis (Paracanthurus hepatus) e nos anéis cintilantes de polvos venenosos de anéis azuis (Hapalochlaena maculosa).

As tonalidades azuis nos mamíferos são ainda mais raras do que nas aves, peixes, répteis e insetos. Apesar de algumas baleias e golfinhos terem pele azulada, os macacos de nariz dourado (Rhinopithecus roxellana) terem faces de pele azul e os mandrilos (Mandrillus sphinx) terem faces azuis e extremidades traseiras azuis, o pelo — uma característica partilhada pela maioria dos mamíferos terrestres — nunca é azul. Pelo menos, não à luz visível.