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Recuperar a confiança

Todos queremos regressar à vida que tínhamos antes, mesmo que no horizonte ainda permaneça a incerteza sobre quando e como as nossas rotinas irão normalizar-se e com que alterações. Eventualmente, muitas coisas não irão fazer-se exatamente da mesma forma que antes, porque o vírus mudou os hábitos das nossas sociedades, os ritmos, as formas de relacionamento e está a ter um impacto brutal na economia, com tendência para se agravar nos próximos meses, com mais empresas a falirem, com o aumento do desemprego e perda de rendimentos.

De uma maneira geral, verifica-se que os governos têm dado prioridade a salvar vidas, e muito bem, mesmo que alguns tenham enveredado pela opção pouco razoável de procurar a chamada “imunidade de grupo”, o que em alguns países tem tido efeitos dramáticos, como é o caso do Reino Unido, Holanda ou Suécia, mesmo que a quebra no seu PIB agora não esteja a sofrer tanto (excetuando o Reino Unido). Felizmente, esta opção foi rejeitada em Portugal, que tem tido resultados bastante encorajadores no controlo da progressão do vírus reconhecidos e elogiados na imprensa internacional.

Porém, as consequências económicas e sociais da pandemia têm estado tão presentes como a necessidade de os sistemas de saúde darem uma resposta eficaz, havendo inclusivamente a ideia de que a dimensão da precariedade e pobreza em que muitas pessoas poderão cair poderá fazer mais vítimas do que o próprio vírus e causar mais problemas de rutura social. Os ondas de choque são cada vez mais presentes.

Neste contexto, há outro problema que tem contribuído muito seriamente para as dificuldades económicas que os países têm vivido, e não apenas aqueles para os quais o turismo é importante, que é o encerramento dos aeroportos e das fronteiras, um assunto muito importante para as comunidades portuguesas, que estão ansiosas por saber se poderão ou não ir de férias a Portugal.

Com efeito, é muito importante que, assim que haja condições, os aviões voltem a descolar para que a retoma na economia global seja mais célere. Para isso, é absolutamente fundamental que as pessoas recuperem a confiança e se sintam seguras nos destinos para onde vão. E Portugal, neste domínio, felizmente, está bem posicionado porque fez uma boa gestão da pandemia e tem uma boa imagem internacional, o que pode ajudar a fazerem as pessoas decidirem-se por Portugal como destino turístico.

A União Europeia está a tentar que se faça uma abertura concertada do espaço aéreo e das fronteiras, o que se compreende, porque de pouco serve se abrirem nuns países e noutros estiverem fechadas. Para já, existe a expetativa que a partir de 15 de junho a mobilidade no espaço europeu seja mais fácil. Mas, obviamente, será necessário que os números de infetados continuem a descer e se verifiquem as condições de segurança gerais para que as pessoas possam recuperar a confiança. A reabertura de fronteiras e aeroportos será certamente feita com muitas cautelas e todos serão chamados a dar o seu contributo para proteger a saúde pública, respeitando todas as regras recomendadas de higiene e distanciamento social. Para a recuperação é fundamental que os comportamentos individuais sejam responsáveis e pensem no bem comum.

É neste contexto que é importante referir as expetativas que existem entre os portugueses residentes no estrangeiro, que muito legitimamente querem vir de férias a Portugal no verão, como todos os anos fazem, trazendo vida e animação aos concelhos e freguesias de norte a sul do país. E este ano, mais do que nunca, a sua presença reveste-se de extraordinária importância para a atividade económica.

Fica assim, mais uma vez, demonstrada a extraordinária importância que as nossas comunidades têm para o nosso país e que nenhum decisor político ou membro da nossa sociedade pode ignorar.

De resto, tem sido precisamente este o apelo feito por toda a hierarquia do Governo, do Primeiro-Ministro, ao ministro dos Negócios Estrangeiros, Secretária de Estado das Comunidades, Secretário-Geral do Partido e deputados, que não se têm cansado de dizer que seria muito importante que nestes tempos difíceis os nossos compatriotas residentes no estrangeiro pudessem trazer um pouco de oxigénio à economia, com a sua simples presença e saudades do país, dos familiares e dos amigos.

Da parte do Governo, como tem sido reiterado em diversos contextos, tudo será feito para que os portugueses possam ter as suas merecidas férias em Portugal. Mas é preciso ter bem presente que nada ainda pode ser dado como adquirido. Este é mesmo o grande desafio das nossas vidas, que nos põe à prova e exige de todos uma grande disciplina e capacidade para resistir. E que exige que cada um de nós se mantenha alerta, renovando em cada dia os mil cuidados necessários para evitar ser infetado e infetar outras pessoas.

Mas sejamos otimistas. Não é a primeira vez que a humanidade passa por uma pandemia e nem será a última, algumas delas com consequências bem mais dramáticas e destrutivas, como foi a gripe espanhola de 1918 ou a gripe de Hong-Kong de final dos anos 60. Confiemos no progresso científico e nas autoridades de saúde, que fazem as suas recomendações com base em critérios objetivos. E confiemos no bom senso dos políticos (quando eles o têm, que não é o caso de Trump ou Bolsonaro), que estão a fazer tudo para resolver este problema extraordinariamente complexo.

Havemos de vencer o vírus e recuperar as nossas vidas.

Paulo Pisco
Deputado do PS eleito pelo Círculo da Europa

 

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