
Depois da última apresentação que fiz, na Casa Havaneza (Figueira da Foz a 29 de Fevereiro), passaram quase quinze meses.
Para além da pandemia que afectou todos, sofri um AVC e caí, em Julho, dentro de uma fossa asséptica em Aljezur. Confesso que tenho uma certa propensão para que me aconteçam situações estranhas, inclusivamente quase me dar o badagaio durante um naufrágio. Mas também sair, em puto, disparado porta fora de um carro porque a mesma se abriu numa curva apertada. Fui atropelado duas vezes, enfim, estaria aqui num rol de lamúrias.
Cansado de nada fazer, resolvi agora fazer uma apresentação do mais recente livro “Criadores de Estrelas” e que nunca cheguei a apresentar. Mas alguns problemas se levantaram logo de início, essencialmente porque o mundo modificou-se bastante nos últimos quinze meses.
A primeira questão advém do facto de um fulano que deseja apresentar um livro, ansiar sempre que o local de apresentação esteja cheio, quanto mais não seja, para cheirar a sucesso. Mas tal seria imprudente face ao estado de emergência que se vivia na altura em que a apresentação começou a ser delineada. Teria que ser num espaço ao ar livre e que todos os presentes se sentissem em segurança. Portanto, o número de pessoas presentes seria limitado.
O espaço foi fácil de encontrar: a minha amiga e comadre Clara, proprietária do Convento de Sandelgas, dispôs-se a facilitar o jardim do Convento para a apresentação. O local é encantador, sóbrio e tranquilo, perfeito para os meus intentos.
Como a lotação estava muito limitada, teria que decidir se as entradas seriam por convite ou por reservas.
Trinta e uma pessoas estavam relacionadas com os livros já editados (inclusivamente no último), seja na produção ou na apresentação e teria muito gosto em que estivessem presente e convidei-as. Se cada uma delas levar em média um acompanhante, teria sessenta e duas pessoas no espaço.
Somando a família directa, seriamos mais quinze. Conversei com a Cris Anjinho e convidei-a a expor as suas telas na apresentação, seria uma grande honra para mim. Logo, poucos lugares restavam.
De maneira que seriam também por convite de forma e destinado a pessoas que vivessem nas redondezas. Foi desta forma que preenchi o número de pessoas que eu tinha colocado como limite. Não fiz qualquer tipo de divulgação a não ser o de pegar no telemóvel, telefonar e chegar ao limite. De repente faltava-me convidar trezentas pessoas.
Espero que quem não convidei ainda, não me leve a mal pois mereciam lá estar, só que não cabem para que seja um evento muito seguro. Seria mau para todos e reinaria um clima de insegurança.
De qualquer forma não é uma festa, muito menos o fim de ano ou o Carnaval. Pura e simplesmente, é apenas uma apresentação de um livro, que se tenta que decorra de forma divertida, informal e ao sabor do momento.
Duas apresentações para já estão a ser preparadas em locais muito interessantes e estou a contar proceder nos mesmos moldes enquanto não se for permitido dizer “apareçam todos”. Quando assim acontecer, claro que terá início no “Velha Academia”
Obrigado a todos vós que são o máximo. Quando esta merda da pandemia passar, vou encher-vos de beijos e abraços até que fujam de mim, todos lambuzados.
