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Portugueses perdem interesse em estarem informados

O interesse por notícias em Portugal diminuiu, entre 2021 e 2022, 17,5 pontos percentuais, quebras transversais a toda a sociedade, mas mais acentuadas em quem tem menos rendimentos e escolaridade, segundo o Reuters Digital News Report.

“O interesse por notícias caiu, em Portugal, 17,5 pontos percentuais entre 2021 e 2022 – 51,1% dos inquiridos do Reuters DNR [Digital News Report] 2022 dizem ter interesse em conteúdos noticiosos em geral face a 68,6%, em 2021″, pode ler-se no inquérito.

Já a “proporção de inquiridos que dizem não ter interesse em notícias mais do que duplicou, aumentando em 5,5 pontos percentuais face ao ano anterior”, passando de 5,0% para 10,5%.

O estudo, com coordenação científica internacional do Instituto da Reuters para o Estudo do Jornalismo, e com coordenação do apoio à recolha em Portugal do OberCom – Observatório da Comunicação e autoria de Gustavo Cardoso, Miguel Paisana e Ana Pinto-Martinho, baseou-se em dados recolhidos entre 14 de janeiro e 10 de fevereiro, antes da invasão da Ucrânia pela Rússia.

Assim, “a quebra geral no interesse por notícias poderá estar relacionada com a excessiva dupla-tematização da agenda noticiosa em torno dos temas pandemia e eleições legislativas 2022”, consideram os autores do estudo hoje divulgado.

“As quebras no interesse por conteúdos noticiosos são transversais a toda a sociedade portuguesa, em todas as demografias, registando-se, no entanto, quebras mais acentuadas entre os portugueses com menores rendimentos e escolaridade mais baixa”, aponta o Reuters DNR de Portugal.

Segundo o documento, “quase sete em cada 10 portugueses com rendimento alto (acima de €25.000/ano), dizem-se interessados por notícias (68,3%), face a apenas cerca de quatro em cada 10 portugueses utilizadores de Internet com rendimento baixo (até €4.999/ano) (41,9%)”.

Relativamente à escolaridade, “66,3% dos portugueses com escolaridade elevada (algum grau superior) dizem ter interesse em notícias, enquanto apenas 41,1% dos indivíduos com escolaridade baixa manifesta esse interesse”.

Outro dos pontos referidos relaciona-se com o ato de evitar as notícias, que “aumentou de forma significativa entre 2017 e 2022”, já que há cinco anos a percentagem de quem afirmava nunca evitar conteúdos noticiosos era de 47%, passando para 21,7% este ano.

As razões para evitar notícias prendem-se com “o excesso de notícias sobre a covid-19 (36,1%), o cansaço com o excesso de notícias em geral (25,8%), e o facto de as notícias afetarem negativamente o humor (20,2%)”.

Ainda assim, os portugueses continuam a ser dos públicos que mais confiam em notícias, estando no segundo lugar dos 46 países inquiridos, com 61% dos inquiridos a relatar confiança nas notícias, apenas atrás da Finlândia e em igualdade com a África do Sul, estando “19 pontos percentuais acima da média global de 42%”.

Quanto às fontes de notícias, a maioria das pessoas inquiridas continua a utilizar a televisão (53,6%), seguindo-se as redes sociais (19,6%), a Internet excluindo redes sociais (16,5%), a rádio (7,1%) e a imprensa (3,2%).

O estudo revela ainda que num total de 15 marcas, mais de 70% dos portugueses inquiridos manifestaram confiança em nove: RTP, SIC, Jornal de Notícias, RFM, Rádio Comercial, Expresso, Público, TSF e RDP Antena 1.

“RTP, SIC e Jornal de Notícias destacam-se particularmente, com mais de três quartos dos portugueses que utilizam a Internet a afirmar confiar nestas marcas (77,8%, 77,6% e 76,0%, respetivamente)”, refere o documento.

O Reuters Digital News Report 2022, 11.º relatório anual do Reuters Institut for the Study of Journalism, foi feito a partir de inquéritos a mais de 90 mil utilizadores da Internet em 46 países, incluindo Portugal.

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