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Português escreve livro infantil bilingue

 “Conto de Iemanjá, a deusa do mar”, um livro para crianças, criado por um português e uma italiana a viverem em Berlim, e publicado na Alemanha.

É a primeira obra escrita por Luís Pedro Vitorino e ilustrada por Marta di Ronco. Os dois conheceram-se num grupo de maracatu, de percussão afro-brasileira, e começaram uma pesquisa sobre os Orixás.

“Interessei-me pela religião Yoruba ou candomblé, muito ligada aos grupos onde tocamos, de maracatu, e daí conheci mais histórias sobre os Orixás, as divindades dessa religião”, explica o engenheiro de Leiria, com 32 anos.

Adaptaram um conto que já existia, “uma história muito simples, com um texto e desenhos para crianças”, revela Marta Di Ronco, “tem um formato diferente, é uma espécie de banda desenhada”.

Luís Pedro Vitorino viveu meio ano em Florianópolis, no estado de Santa Catarina, onde fez um mestrado. Marta Di Ronco tem o pai a residir no Brasil, para onde viaja com frequência.

“Sugeri à Marta que fizéssemos uma história sobre alguns dos Orixás, porque eles têm um panteão, como os deuses gregos. E a ideia nasceu daí. Foi assim que começámos a fazer a história da Iemanjá, que é a deusa do mar, o Orixá sereia”, adianta Luís Pedro Vitorino.

O livro infantil, editado pela Oxalá, está escrito em alemão e em português e é pensado para crianças dos quatro aos 12 anos.

“A Iemanjá vivia no mar e queria ir para terra, porque a via ao longe, tinha curiosidade e nunca tinha ido. Pede à mãe que a deixe ir. Quando chega, ajuda muito as comunidades que vivem perto da costa. Fica tão conhecida, que as outras pessoas que vivem mais longe também querem a sua atenção e o seu amor, e ficam com inveja. Mas a Iemanjá tem uma forma particular de lutar, que lembra o mar, e consegue libertar-se dessas pessoas“, conta o coautor do conto infantil.

“Foi muito interessante fazer este trabalho porque esta não é a nossa cultura, nenhum dos dois nasceu no Brasil, mas os dois temos muito interesse pelo país. É um olhar de fora.”, sublinha Marta Di Ronco.

“Para conhecer melhor as pessoas, é bom conhecer diferentes culturas, lendas, imaginários. Numa sociedade cada vez mais multicultural e multiétnica penso que faz sentido”, acrescenta a arquiteta e ilustradora italiana, sublinhando que ficou “muito contente com o resultado”.

“Conto de Iemanjá, a deusa do mar” vai custar 13 euros e 50 cêntimos. A Oxalá editou outras duas obras bilingues (em alemão e português): “A Menina do Mar”, de Sophia de Mello Breyner Andresen e “As Cartas Portuguesas de Mariana Alcoforado”.