Português de Torres Novas suspeito do ataque de Brown e da morte de Nuno Loureiro
Cláudio Manuel Neves Valente, um homem de 48 anos e nacionalidade portuguesa, foi identificado pelas autoridades norte-americanas como o principal suspeito do ataque com arma de fogo ocorrido no passado sábado na Brown University, em Providence, e do homicídio de um professor do Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT) dois dias depois.
Segundo a polícia, Valente foi encontrado morto dentro de um depósito em Salem, no estado de New Hampshire, na noite de quinta-feira, vítima de um ferimento auto-infligido, após uma intensa caçada policial de vários dias.
O tiroteio na Brown University, uma das universidades da Ivy League, deixou dois estudantes mortos e nove feridos, e ocorreu numa sala de aulas do edifício de engenharia e física. As autoridades acreditam que Valente agiu sozinho.
Dois dias depois do ataque no campus, Valente terá também disparado e morto Nuno Loureiro, um físico português e professor do MIT, na sua casa em Brookline, estado do Massachusetts, segundo confirmaram investigadores em conferências de imprensa nos Estados Unidos.
De acordo com as autoridades, Valente era cidadão português, nascido em Torres Novas, e tinha residência em Miami, Florida, onde estava legalmente desde 2017.
Cláudio Valente tinha sido admitido como estudante de doutoramento em física na Brown University no outono de 2000, contudo pediu uma licença em 2001 e retirou-se formalmente do programa em 2003. As autoridades revelaram que Valente e o professor do MIT Nuno Loureiro terão sido colegas num programa académico em Portugal entre 1995 e 2000, embora não esteja claro se se mantiveram em contacto depois disso.

Peter Neronha, o lusodescendente que é procurador-geral do estado de Rhode Island, afirmou que Valente foi encontrado morto com um saco, duas armas de fogo e ainda provas no automóvel “que correspondem exatamente ao que observámos no local do crime, aqui em Providence”.
Neronha explicou ainda aos jornalistas, na noite de quinta para sexta-feira, que uma pessoa com informações sobre o alegado atirador teve um papel determinante na sua localização. Depois de as autoridades terem divulgado uma fotografia do suspeito, há cerca de 24 horas, um indivíduo “apresentou-se junto de dois agentes da polícia de Providence, na zona leste da cidade, e disse que tinha informações de que se tratava daquela pessoa e que possuía dados que poderiam ajudar na investigação”.
As informações fornecidas “desbloquearam completamente este caso”, afirmou Neronha na conferência de imprensa. “Foi decisivo”, afirmou. Segundo o procurador-geral, a informação fornecida por essa pessoa conduziu as autoridades até um veículo, o que permitiu identificar um nome. “Isso levou-nos às fotografias do indivíduo no momento em que alugou o carro, imagens que coincidiam com a roupa do atirador em Providence e com a bolsa que transportava”, explicou.
Neronha acrescentou ainda que o suspeito tentou iludir as autoridades, mudando as matrículas do automóvel. “O indivíduo estava a trocar as matrículas, e essa foi uma das razões”, afirmou. “Ele sabia o que estava a fazer… temos a matrícula principal e uma matrícula da Florida no mesmo carro”, concluiu.