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Portugal quer apoio para países que acolhem refugiados venezuelanos

Portugal apelou à solidariedade internacional para mobilizar apoios para os países que acolhem os 5,7 milhões de migrantes e refugiados venezuelanos que desde 2015 abandonaram a Venezuela, fugindo da crise política, económica e social.

O apelo foi feito pelo secretário de Estado dos Negócios Estrangeiros e da Cooperação, Francisco André, durante a 3.ª Conferência Internacional de Doadores em solidariedade com os Migrantes e Refugiados Venezuelanos, convocada pelo Canadá e durante a qual Portugal anunciou uma nova contribuição financeira pelo valor de 100 mil euros.

“Pouco mais de um ano depois da última Conferência de Doadores a situação dos refugiados venezuelanos nos países da região continua a agravar-se e permanece o impasse da situação política interna da Venezuela, e a incidência da covid-19 na região tem contribuído para tornar esta crise ainda mais complexa”, disse Francisco André.

“Importa, pois, continuarmos a trabalhar em conjunto de forma solidária para que esta situação crítica não seja esquecida”, disse o governante.

“As necessidades da população venezuelana, refugiada e deslocada, são crescentes e concretas, pelo que devemos fazer o que estiver ao nosso alcance para ajudar, mobilizar apoios para os países da região que a acolhe”, frisou.

Segundo Francisco André “a situação na Venezuela e as suas consequências para os países da região” são um assunto “preponderante para Portugal”.

“Temos (Portugal) vindo a acompanhar de perto os vários fóruns que integramos, os desenvolvimentos registados nos últimos anos, procurando contribuir para uma solução pacífica para a crise”, disse.

O político explicou que Portugal tem “também procedido com o nosso apoio à população venezuelana, bem como aos refugiados e emigrantes venezuelanos, nas respetivas comunidades de acolhimento”.

“Fazemo-lo através dos diversos instrumentos e canais disponíveis e sempre alinhados com as prioridades humanitárias internacionais e europeias”, disse.

O secretário de Estado dos Negócios Estrangeiros e da Cooperação agregou ainda que “durante a presidência portuguesa do Conselho da União Europeia” Portugal manteve “esta crise e os seus aspetos humanitários na agenda europeia sem nunca deixar de apoiar os atores humanitários, visando as pessoas mais vulneráveis”.

“Nessa linha tenho o prazer de anunciar uma nova contribuição financeira de Portugal no valor de 100 mil euros para ajudar na proteção e integração dos refugiados e migrantes venezuelanos”, concluiu.

Os países que participaram na Conferência Internacional de Doadores em solidariedade com os Migrantes e Refugiados Venezuelanos, convocada pelo Canadá e que decorreu hoje em formato virtual, comprometeram-se a aportar 1.554 milhões de dólares (1.306 milhões de euros) para ajudar os venezuelanos, 954 milhões (801,5 milhões) em doações e 600 milhões (504,5 milhões de euros) em créditos.

A Colômbia, Peru, Equador, República Dominicana e os Estados Unidos comprometeram-se em conceder o estado de “proteção temporária” aos migrantes e refugiados venezuelanos nesses países.

Segundo diversos organismos, 5,7 milhões de venezuelanos abandonaram o seu país desde 2015, fugindo da crise política, económica e social.

A crise na Venezuela agravou-se desde janeiro de 2019, quando o presidente do parlamento, o opositor Juan Guaidó, jurou publicamente assumir as funções de Presidente interino do país, até afastar o Presidente Nicolás Maduro do poder, convocar um Governo de transição e eleições livres e democráticas no país.