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Porque estão tantos utilizadores a abandonar o WhatsApp

As aplicações de troca de mensagens para telemóvel Signal e Telegram dispararam nos downloads efectuados em todo o mundo depois de terem entrado em vigor as novas regras de partilha do WhatsApp que permitem a cedência de dados ao Facebook.

Foi a 4 de janeiro que o WhatsApp anunciou a mudança na sua política de privacidade, realçando que os seus utilizadores teriam que aceitar a partilha de alguns metadados para fins comerciais com o Facebook, a empresa que a tutela. Em caso de recusa, os utilizadores deixam de poder usar o serviço a partir de 8 de fevereiro.

A app de mensagens apontou que as mensagens escritas e os contactos guardados na aplicação vão permanecer encriptados, não estando acessíveis ao Facebook. Mas admitiu que, a partir de 8 de Fevereiro, há metadados que vão estar ao dispor da empresa liderada por Mark Zuckerberg para melhorar os serviços de comércio electrónico e de publicidade.

A situação, que se junta aos recentes casos de segurança e de privacidade envolvendo o WhatsApp e o Facebook, está a levar muitas pessoas a aderirem ao Signal e ao Telegram.

A própria Comissão Europeia (CE) também deixou de utilizar o WhatsApp como plataforma privilegiada para a troca de mensagens, recomendando aos seus membros que optem antes pelo Signal, como destaca o jornal Politico.

“O Signal é a plataforma escolhida como aplicação recomendada para a troca de mensagens instantâneas públicas”, aponta a CE numa nota interna enviada aos seus membros, como cita aquele jornal.

Esta medida foi tomada no seguimento das reformas de cibersegurança que vêm sendo implementadas na UE após o ataque informático de que foi alvo em 2018.

Figuras como Edward Snowden, ex-analista da Agência de Segurança Nacional norte-americana (NSA), e o empresário Elon Musk já recomendaram o uso do Signal.

Esta app foi desenvolvida em 2013 por activistas pela privacidade. O projecto foi financiado por uma fundação sem fins lucrativos que é apoiada pelo fundador do WhatsApp, Brian Acton, que deixou a empresa em 2017 em divergência com as políticas do Facebook.

Esta app é elogiada pela qualidade da sua encriptação, ou seja, pela forma como codifica as mensagens, e também pelo facto de ser open source, isto é, de código aberto.

“Por ser de código aberto, podemos sempre verificar o que está a acontecer nos bastidores”, salienta, citado pelo Politico, o especialista em encriptação Bart Preneel da Universidade de Leuven, Bélgica.

O Signal baseia-se no mesmo protocolo do WhatsApp, conhecido como Open Whisper Systems, mas especialistas de privacidade dizem que tem uma segurança superior.

“Não podemos ler as suas mensagens ou ver as suas chamadas e mais ninguém pode”, explica-se no site da app que cifra as comunicações durante as conversas com chaves de segurança que ficam do lado dos utilizadores – isto significa que não podem ser lidas pela própria empresa.

O Telegram suscita mais dúvidas de segurança, apesar de estar a viver também um boom de utilizadores à boleia do WhatsApp, como fez questão de celebrar nas redes sociais.

Criado, em 2013, pelos irmãos russos Pável e Nikolái Dúrov, os mesmos que desenvolveram a rede social russa VKontakte, o Telegram tem sido alvo de várias tentativas de bloqueio em diversos países porque costuma recusar qualquer colaboração com as autoridades.

Tem sido muito usada por terroristas do Estado Islâmico para manterem conversas secretas, angariarem fundos e até para negociarem resgates de reféns. Essa realidade pode ter a ver com o facto de ter um sistema de criptografia mais elaborado, impedindo a gravação das conversas na aplicação e, assim, não permitindo que outras pessoas as consultem.