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Polícias manifestam-se em Paris

A polícia francesa desafiou a proibição de reuniões de grupos numerosos, por causa da pandemia, manifestando-se em Paris contra os novos limites nas técnicas de detenção e a falta de apoio do Governo.

O Governo francês anunciou esta semana que passam a ser proibidas algumas técnicas de detenção por parte da polícia, como forma de combater a brutalidade e o racismo das organizações de segurança, após os protestos globais pela morte de George Floyd, o afro-americano morto sob escolta policial, nos Estados Unidos.

Com novas manifestações contra o racismo e contra a violência policial marcadas para sábado, em várias cidades francesas, o Sindicato da Aliança da Polícia Nacional marcou um evento em Paris para protestar contra o que diz ser a falta de solidariedade do Governo, lamentando que se tenha instituído contra os agentes uma “presunção de culpabilidade”.

Desde o Arco do Triunfo, passando pelos Campos Elísios, até à sede do Ministério do Interior, violando as regras que proíbem a aglomeração de pessoas, por causa da pandemia de covid-19, algumas dezenas de membros de organizações sindicais manifestaram-se, dizendo que “a polícia não é racista” e pedindo mais meios para garantir a segurança das populações.

À chegada da manifestação junto ao Ministério, os agentes fardados que garantem a segurança pública pareceram nervosos, mas acabaram por não intervir, permitindo que os sindicalistas cantassem o hino francês, antes de dispersarem.

Os sindicatos de polícia acusam o ministro do Interior, Christophe Castaner, de ter abandonado as forças de segurança, depois de, no início desta semana, ele ter afirmado que qualquer “forte suspeita” de racismo seria punida, em resposta a investigações sobre comentários racistas publicados em grupos fechados da rede social Facebook, frequentados por agentes policiais.

Os protestos contra a violência policial em França começaram depois de, na semana passada, ter sido divulgado um relatório forense que atribuiu a morte do jovem negro Adama Traoré, em 2016, à brutalidade exercida por agentes durante a sua detenção.

“Estamos cansados de ouvir dizer que a polícia é racista. Não se pode estigmatizar toda a polícia. O Governo deve dar-nos meios para trabalhar e punir aqueles que nos atacam e massacram”, disse o secretário-geral do sindicato da Aliança da Polícia Nacional, Fabien Vanhemelryck, em declarações aos jornalistas.

“O nosso ministro não nos merece. Queremos um ministro que saiba do que fala”, disse Jean-Paul Mégret, líder de um sindicato independente de polícia, numa entrevista divulgada por um canal televisivo.

Alguns dos polícias que percorreram as ruas do centro de Paris, na manifestação contra o Governo, pedem a demissão de Castaner, dizendo que as restrições às técnicas de detenção são a “gota de água”, depois da pressão a que foram submetidos durante os protestos dos “coletes amarelos”, que provocaram fortes distúrbios em várias cidades francesas, durante vários meses.

Mas os sindicatos dizem que não basta a demissão do ministro do Interior.

“Pedir a demissão do ministro é fácil. Por isso peço ao Presidente Emmanuel Macron para nos receber. Sem polícia não há paz”, disse Fabien Vanhemelryck.

Entre os que também exigem a saída de Castaner estão o partido de esquerda França Insubmissa, bem como a líder de extrema-direita Marine Le Pen, que visitou um posto de polícia em Villeneuve La Garenne, nos arredores de Paris, para expressar o seu apoio aos agentes.

“É evidente que Castaner não está bem no seu lugar e nunca esteve. (…) Não se pode dizer que existe um problema estrutural de violência no nosso país”, disse Le Pen.