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ONG portuguesa ajuda agricultores cabo-verdianos

A Associação para a Defesa do Património de Mértola (APDM) está a ajudar pequenos agricultores da ilha cabo-verdiana de Santo Antão a aumentar a produção agrícola e a combater alterações climáticas através de sistemas agroflorestais.

Segundo esta organização não governamental para o desenvolvimento, com sede na vila alentejana de Mértola, distrito de Beja, a ajuda está a ser prestada através do projeto “Sistemas Agroflorestais – Alternativa Inteligente para combater as alterações climáticas na ilha de Santo Antão”.

O objetivo é testar a possibilidade de sistemas agroflorestais, com a aplicação de princípios de agroecologia e as condições existentes em Cabo Verde, poderem contribuir para aumentar a produtividade agrícola de pequenos agricultores da Ilha de Santo Antão, explicou hoje à agência Lusa a técnica da ADPM Carla Janeiro.

Ao mesmo tempo, o projeto pretende ajudar os agricultores a fazerem “uma boa conservação do solo e uma boa gestão da água, um recurso muito escasso” em Cabo Verde, para combaterem as alterações climáticas, disse, destacando que “há quatro anos que não chove na Ilha de Santo Antão”.

Segundo a responsável, “a boa gestão destes dois recursos é fundamental para uma melhor adaptação dos agricultores às condições adversas que já se fazem sentir em Cabo Verde e que poderão ser ainda piores no contexto das alterações climáticas que se adivinham”.

“Acreditamos que, através de sistemas agroflorestais, é possível fazer uma boa gestão dos recursos naturais, aumentar a produtividade agrícola, a disponibilidade de alimentos e a segurança alimentar e nutricional das comunidades locais”, frisou.

Nesta lógica, o projeto “pode vir a contribuir decisivamente” para reorientar agricultores para sistemas de produção agrícola inteligente face ao clima, reduzindo as importações de bens, sobretudo alimentares.

E, desta forma, contribuir para melhorar a qualidade de vida das populações rurais, combater a desertificação e mitigar as alterações climáticas na Ilha de Santo Antão, acrescentou.

Através do projeto, que arrancou em março deste ano – mas só este mês foi lançado oficialmente -, foram instalados sistemas agroflorestais em três campos experimentais situados em três zonas do concelho de Porto Novo, com condições “muito diferentes”.

Trata-se dos campos experimentais da Casa do Meio, do Planalto Leste e do Planalto Norte, onde as atividades do projeto estão a ser desenvolvidas por três associações locais parceiras.

Em cada campo, estão a ser testadas quais as culturas e espécies que melhor se adaptam a cada zona para responder a necessidades da ilha, nomeadamente a alimentação humana e animal e a produção de matéria orgânica para nutrir os solos.

Os sistemas estão a ser implementados com recurso a princípios e técnicas de agroecologia, que permitem regenerar áreas degradadas, aumentar a retenção de água, a captação de carbono, a incorporação de matéria orgânica no solo, a resiliência e a luta natural das culturas contra pragas.

Segundo Carla Janeiro, os sistemas agroflorestais estão a ser “largamente usados noutros contextos e geografias com ótimos resultados, nomeadamente em zonas áridas”, e, por isso, a ADPM está “muito confiante” de que o projeto irá “obter bons resultados”, disse.

O projeto também inclui ações de divulgação das atividades realizadas e dos resultados alcançados, sobretudo junto de agricultores da Ilha de Santo Antão, mas também a nível global.

Num investimento de 300 mil euros, o projeto, que terminará em novembro de 2022, enquadra-se na iniciativa “Aliança Global de Combate às Alterações Climáticas + África Oeste”, financiada pela União Europeia.

#portugalpositivo