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O medo está a travar a pandemia em Itália?

A Itália quer ultrapassar o trauma do início da pandemia e evitar atingir os números altos que colocaram este país europeu no topo dos países mais massacrados pela covid-19. Atualmente, os números apontam para uma média de menos de dois mil casos diários, enquanto que Espanha e França registam mais de uma dezena de milhar por dia.

A Organização Mundial de Saúde (OMS) alertou para uma segunda vaga “preocupante” e vaticinou que os números estão a mostrar isso mesmo. Perante o cenário europeu, Itália parece estar a adiar – ou até a travar – a segunda vaga de infeções por covid-19.

Ao The Telegraph, Walter Ricciardi, um dos especialistas do Ministério da Saúde, disse que, apesar de Itália não ter regressado aos níveis de contágio de março, “temos que ter cuidado e não baixar a guarda”.

Neste sentido, o uso de máscaras, o distanciamento social e os grupos de controlo têm sido fundamentais, assim como o incentivo à vacinação contra a gripe e o uso da aplicação de rastreamento de contactos (a Immuni).

A evolução da curva italiana pode ser explicada pelo quarentena de 14 dias (sendo que muitos países europeus a encurtaram para sete e 10 dias) e pela experiência trágicavivida no início da pandemia.

Andrea Crisanti, parasitologista molecular do Imperial College, disse ao matutino que, “hoje, a estratégia de vigilância ativa que adotamos em Veneto está a ser usada em todo o país”. “Cada vez que temos um caso positivo, mesmo assintomático, testamos todos que fazem parte das várias redes familiares, sociais e de trabalho dessa pessoa.”

O Governo italiano foi também muito cauteloso na hora de abrir as fronteiras. O Conselho Europeu aconselhou a reabertura a 15 países, mas Itália preferiu manter restrições aos viajantes provenientes de países que não integram a União Europeia.

Itália foi o segundo país do mundo a sofrer fortemente as consequências do novo coronavírus: no início da pandemia, foi o país europeu a registar mais mortes e o primeiro a isolar cidades e a fechar os cidadãos em casa. A experiência pode ter dotado a Itália de ferramentas para pôr um travão a uma potencial segunda vaga.