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No rescaldo do Web Summit

Segunda-feira, dia 7 de novembro: a manhã no norte já se avizinhava fria. De mala feita, cachecol ao pescoço e telemóvel por perto, iniciei a jornada até Lisboa. O entusiasmo era muito: já havia participado na edição de 2015 do Web Summit em Dublin, Irlanda. Já me havia perdido nas conferências, nos expositores, na imensidão de projetos e ideias “fora da caixa” que por ali passam. Mas quando repetimos uma experiência há, por vezes, a sensação de que a repetição poderá não ter o efeito impactante original. Neste momento, posso garantir-vos que este facto não é, de todo, real.

Realizado em Lisboa pela primeira vez, entre os passados dias 7 e 10 de Novembro, o Web Summit permitiu a reunião de 53.056 participantes de 166 diferentes países, 15.000 empresas e 7000 CEOs. Mais do que um evento de tecnologia, no Web Summit há espaço para ciência, saúde, arte, música, entretenimento, diversidade cultural e, entre outros assuntos, política. Após a eleição de Donald Trump para o cargo de Presidente dos Estados Unidos da América, foi bom poder exorcizar o medo e a preocupação com o futuro do mundo (e o próprio futuro da tecnologia) através da discussão com um painel de oradores constituído por nomes como Shailene Woodley do movimento “Up to US”, Owen Jones do jornal “The Guardian”, entre outros.

Fazendo um balanço final muito positivo, fica apenas um apontamento à camada de portugueses (espero eu que de reduzida dimensão) que lidou com o Web Summit com bastante intransigência e desconfiança, talvez fruto de uma cobertura mediática que não escrutinou os pontos essenciais deste evento. É que nessa segunda-feira fria, pela manhã, já eram várias as expectativas negativas face ao Web Summit: um possível colapso do sistema metropolitano de Lisboa, uma fraca presença feminina no evento (que, ao que já foi possível apurar, representou afinal 42% do público total do mesmo), entre outras visões “negras” dignas de um problema que eu justifico e conecto com o facto de as pessoas recearem aquilo que não conhecem.

Posso apenas deixar a garantia de que no Web Summit todas as vozes têm igualdade de decibel e é ali que se reúne em 3 dias o fruto de 1 ou mais anos de trabalho, criatividade, insegurança, dúvida e, por vezes, até falta de reconhecimento. É nos corredores do Web Summit que há a possibilidade de falar com aquele contacto – tão inalcançável até ao momento -, ou conhecer aquela empresa com a qual sempre se vislumbrou uma possível parceria.

Quanto a mim: para além das pessoas extremamente interessantes que se cruzaram no meu caminho e tiveram a iniciativa de expor as suas ideias e permitir que eu expusesse as minhas sem qualquer tipo de preconceito à mistura, foi no Web Summit que conheci este projeto para o qual começo hoje a escrever com todo o gosto. Quem disse que este evento era só para Geeks?

Aqui estou eu. Bom dia!

Inês Silva Araújo