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Motorista de autocarro condenado em França vai recorrer

O motorista português de um autocarro de passageiros que em 2017 se despistou em França a caminho da Suíça, provocando quatro mortos e 28 feridos, foi na semana passado condenado a dois anos de pena suspensa, e vai recorrer da sentença.

“Vamos recorrer por uma razão muito simples: foi medida a velocidade e ele circulava dentro do limite. O que baseou a sentença foi ele não adequar a velocidade às condições da via, quando ele foi surpreendido pelo gelo na estrada na ponte onde o autocarro resvalou”, explicou Albano Cunha, advogado do motorista, em declarações à Lusa.

A sentença foi proferida ontem no Tribunal correcional de Mâcon e, além da pena, o motorista fica ainda impedido de conduzir qualquer veículo a motor em França durante cinco anos. Quanto às coimas pedidas às duas empresas portuguesas, uma ficou fixada em 28 mil euros e outra em 50 mil euros.

Albano Cunha considerou que, ao contrário do que foi alegado pelas autoridades francesas, o seu cliente não podia ter conhecimento das condições meteorológicas já que “os painéis de iluminação não foram ativados” naquela noite e “um motorista não é obrigado a levar o rádio ligado para perceber se há gelo na estrada”.

Originalmente, o Ministério Público francês tinha pedido durante o julgamento, que decorreu no início de outubro, três anos de pena suspensa para o réu e coimas de 100 mil euros para cada uma das duas empresas portuguesas que detinham o autocarro.

O acidente aconteceu em janeiro de 2017 na Estrada Centro Europa e Atlântico (RCEA), ao nível da localidade de Charolles, no distrito de Saône-et-Loire, uma “estrada reputada como perigosa”, disse na altura o Prefeito de Saône-et-Loire, Gilbert Payet, em declarações à Lusa.

Todos os passageiros eram de origem portuguesa e cinco pessoas ficaram gravemente feridas, incluindo um bebé de 2 anos e o próprio motorista.

A empresa de autocarros, que pertence ao pai do motorista, vai mesmo interpor uma ação contra o Estado francês, já que, segundo Albano Cunha, foram apresentadas provas de que o primeiro camião com sal para retirar o gelo da estrada partiu só 20 minutos depois do acidente. “A estrada não estava salinizada e vamos intentar uma ação contra o Estado francês para pagar o autocarro, no valor de mais de 100 mil euros”, disse o advogado.

O motorista português, que não esteve presente na leitura da sentença, foi uma das vítimas graves do acidente, apresentando ainda hoje sequelas físicas e psicológicas. “Ele está muito afetado fisicamente, porque teve sequelas grandes. Psicologicamente, embora ele esteja de consciência tranquila porque não teve culpa nenhuma do acidente, tem mexido muito com ele. Tem altos índices depressivos”, concluiu o advogado.