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Mortes nas estradas portuguesas equivalem a três aviões

O presidente da Autoridade Nacional de Segurança Rodoviária alertou que o número de vítimas mortais na sinistralidade rodoviária em Portugal, apesar de estar a diminuir, equivale à queda de “três aviões, todos os anos” no país.

“Todos os anos morre nas estradas portuguesas um conjunto de pessoas equivalente a três aviões que caíssem”, disse Rui Ribeiro, presidente da Autoridade Nacional de Segurança Rodoviária (ANSR).

Segundo o responsável, que participou hoje nas ações em Évora para assinalar o Dia Mundial em Memória das Vítimas da Estrada, a sinistralidade rodoviária “é uma consciencialização de cada um” e “de todos”.

“Continuamos a conviver com esta pandemia [da sinistralidade rodoviária] com alguma tranquilidade e, efetivamente, cabe a cada um de nós, cabe a todos nós, zelar pela proteção das nossas vidas, das pessoas que amamos e vão connosco no carro e dos outros”, avisou.

Rui Ribeiro frisou aos jornalistas que é preciso essa atenção, apesar de a sinistralidade rodoviária estar “a diminuir consistentemente em termos de vítimas mortais nos últimos anos”.

Devido à pandemia de covid-19 e às restrições que a mesma implicou, “2020 foi um ano atípico”, mas neste ano, que já é “um ano típico”, os números em Portugal estão “ao mesmo nível do que no ano passado”, indicou.

O Dia Mundial em Memória das Vítimas da Estrada é assinalado hoje, tendo as comemorações nacionais incluído, em Évora, diversas iniciativas, como uma concentração na Praça do Giraldo e marcha lenta até ao Jardim da Memória, com uma sessão solene.

A marcha lenta do evento, organizado pela Liga das Associações Estrada Viva e pela Associação Gare, contou com a participação de dezenas de pessoas, não apenas a pé, mas também de mota.

A presidente da Gare, Filomena Araújo, destacou à agência Lusa tratar-se de um dia “importantíssimo”, porque serve “para lembrar as vítimas da estrada”, que “são vidas ceifadas evitáveis e que deixaram muita gente também destroçada”.

A efeméride fica este ano marcada pelo lançamento oficial da petição “Cidades Seguras para Todos”, que pede a redução da velocidade máxima nos centros urbanos dos atuais 50 para 30 quilómetros/hora.

“A redução de 50 para 30 quilómetros/hora da velocidade nas localidades nas zonas com peões é importante e pode ajudar a reduzir a sinistralidade”, além de que “o tempo de reação é completamente diferente e, por isso, pode reduzir o impacto na saúde de eventuais atropelamentos”, defendeu Filomena Araújo. 

O presidente da ANSR também considerou que esta é uma questão “fundamental e importante”, que deve avançar, mas em conjunto com “medidas de acalmia do trânsito nas estradas”, para impedir prevaricações da parte dos condutores.

“A probabilidade de sobrevivência a um atropelamento a 30 quilómetros por hora é cerca de 80%, o que quer dizer que oito em cada 10 pessoas sobrevivem”, enquanto o cenário “quase que se inverte” num acidente a 50 quilómetros por hora: “A probabilidade de sobreviver é de 10%, ou seja, nas mesmas 10 pessoas, uma sobrevive”, exemplificou.

Segundo o relatório de sinistralidade rodoviária publicado em agosto pela Autoridade Nacional de Segurança Rodoviária (ANSR), entre janeiro e agosto, registaram-se 17.668 acidentes com vítimas no continente, dos quais resultaram 242 vítimas mortais, 1.261 feridos graves e 20.630 feridos leves. 

A ANSR avançou que as vítimas mortais diminuíram 5,5% (menos 14) em relação ao período homólogo de 2020, mas os acidentes com vítimas aumentaram 3,7% (mais 629), os feridos graves subiram 4,6% (mais 55) e os feridos ligeiros subiram 4% (mais 784).