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Mentalidade portuguesa alimenta a pobreza?

A sociedade portuguesa está mais vocacionada para “alimentar” a pobreza do que para a “combater na origem”, disse hoje o presidente da delegação nacional da Rede Europeia Anti-Pobreza, sublinhando as “causas políticas” do fenómeno, que afeta 17,3% da população.

“Vimos de uma mentalidade que mais alimenta, sustenta e provoca ou mantém a pobreza do que a resolve nas causas”, disse Agostinho Moreira, no Funchal, durante a apresentação do plano de atividades do núcleo da Madeira da Rede Europeia Anti-Pobreza (EAPN).

O plano decorre de uma parceria com a Secretaria Regional da Inclusão e dos Assuntos Sociais e prevê diversas ações, sobretudo na área da formação, bem como a realização de um congresso na região autónoma em junho.

“A nossa política europeia é de ir atacar a pobreza nas suas causas, nas suas origens, e as suas origens são económicas, são políticas, são sociais”, afirmou Agostinho Moreira, realçando que a EAPN ainda está a elaborar o diagnóstico do fenómeno na Madeira, pelo que não dispõe para já de dados concretos.

No entanto, dados do Instituto Nacional de Estatística (INE), divulgados em novembro de 2018, indicam que a Madeira e os Açores são as regiões do país que registaram os valores mais elevados de risco de pobreza, nomeadamente 27,4% para a Madeira e 31,5% para os Açores.

O inquérito refere-se a 2017 e contém pela primeira vez estimativas regionais, revelando que os residentes na Área Metropolitana de Lisboa foram os menos afetados pelo risco de pobreza (12,3%), tendo em conta a linha de pobreza nacional.

Neste domínio, os valores mais elevados de risco foram registados nas Regiões Autónomas dos Açores e da Madeira, sendo que em termos gerais o fenómeno afeta 17,3% da população portuguesa.

“A pobreza é o resultado de políticas estruturais que geram injustiça”, disse Agostinho Moreira, esclarecendo que “se a pobreza tem causas estruturais, políticas e económicas, quer dizer que na Madeira [e no país] só atingindo essas causas é possível atingir as que geram a pobreza”.

O presidente da EAPN-Portugal sublinhou a importância da parceria estabelecida com o executivo regional, considerando que permite “pôr a pobreza em cima da mesa” na região e, deste modo, construir uma “plataforma com todas as instituições que intervêm na constituição da sociedade civil”.

A Rede Europeia Anti-Pobreza-Portugal é uma instituição particular de solidariedade social e está integrada na maior rede europeia de combate à pobreza e exclusão social, envolvendo 31 países. Dispõe de 19 núcleos ao nível nacional, sendo o mais recente o da Região Autónoma da Madeira, aberto no dia 3 de dezembro de 2018.