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Mensagem por ocasião do Dia de Portugal

O 10 de Junho é, para os portugueses, uma data que se reveste de um simbolismo muito especial. É o momento em que se homenageia a Nação, se evocam valores da pátria e da cultura e ao qual se associam, com toda a justiça, as Comunidades Portuguesas.

Se as comemorações organizadas pela Presidência da República são o momento mais protocolar e oficial, sou de opinião que foram as inúmeras iniciativas organizadas pela nossa Diáspora nos quatro cantos do Mundo, que deram a este dia a relevância e o simbolismo que ele realmente merece.

O Dia de Portugal é, habitualmente, celebrado pelas gentes da emigração de forma efusiva e sentida através de um conjunto alargado de eventos em que a nossa cultura e a nossa língua são motivos de destaque.

Infelizmente, a prevalência da pandemia da COVID-19, tal como aconteceu em 2020, não vai permitir a realização das habituais celebrações do Dia de Portugal. Contudo, penso que isso não irá impedir, com toda a certeza, as nossas comunidades de encontrarem, no próximo dia 10 de junho, uma forma de, em segurança, assinalarem, mais uma vez, a sua forte ligação a Portugal.

Se é verdade que o atual Presidente da República atribuiu uma maior relevância às comemorações do Dia de Portugal, é bom lembrar que esta data foi sempre celebrada nas comunidades portuguesas através de manifestações que, em alguns países, tinham a capacidade de mobilizar muitos milhares de portugueses. O Dia de Portugal é a ocasião, pelo menos ao nível dos discursos políticos, em que se reconhece que a nossa realidade é a de um país repartido pelo mundo. Uma realidade que integra os vários milhões de portugueses que apesar de residirem no estrangeiro mantêm um vínculo forte ao seu país de origem.

O Dia de Portugal é também um momento de relevar as principais preocupações dos portugueses que residem no estrangeiro. Desde logo, ao residirem em contextos sociais e políticos diferentes, os portugueses da diáspora estão como todos nós a sofrer as consequências da COVID-19, mas, é importante sublinhar que temos nacionais a residir em países em que a resposta à crise sanitária está muito distante das estratégias implementadas no plano nacional ou no plano europeu. Por isso mesmo, alguns vivem situações de grande dificuldade.

Esta é também uma crise sanitária que veio também alterar de forma profunda as relações das nossas comunidades com Portugal, nomeadamente, quando impede a vinda regular destes portugueses ao seu país, aos seus territórios de origem, especialmente nos períodos festivos ou de férias. Uma crise que se repercutiu, ao mesmo tempo, no investimento económico das nossas comunidades e uma crise que veio comprometer a sustentabilidade financeira da rede mais importante de Portugal no estrangeiro, que são as associações de âmbito social e cultural. É importante destacar que a rede associativa da diáspora desenvolve um trabalho notável e que, ano após ano, precisamente através destas associações que têm sido promovidas as comemorações do Dia de Portugal.

Face a esta crise de carácter excecional, era expectável que fossem tomadas medidas de apoio excecionais dirigidas às comunidades portuguesas. Infelizmente, se respostas houve por parte do Governo para vários outros setores da sociedade portuguesa para atenuar os efeitos da pandemia, a área das comunidades portuguesas foi esquecida. A título de exemplo importa sublinhar o momento difícil que conhece a nossa rede Consular, em alguns países em situação de total rutura, ou a insuficiência, e em alguns países a inexistência, de apoios à rede associativa que acima referi o que poderá ter custos significativos para a afirmação de Portugal no mundo. Esperava-se mais do Governo. Esperava-se muito mais.

O Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades Portuguesas, não pode, não deve ser apenas um dia de discursos de circunstância. Por isso e face ao momento que vivemos, deixo o desafio para que este seja um dia em que o Governo leve a cabo uma profunda reflexão sobre o que pretende para o país e para as nossas comunidades.

Será que queremos continuar com esta visão “pequenina” de um país da Europa Ocidental ou queremos realmente entender a dimensão deste Portugal, um Portugal dos portugueses, ou seja, um Portugal espalhado pelo mundo e que existe e que se afirma através das nossas comunidades.

Este será novamente um ano diferente, mas isso não irá impedir que nos quatro cantos do mundo os portugueses sintam novamente a importância de invocar valores associados ao Dia de Portugal. É esta forma de estar que demonstra de forma inequívoca a ligação das Comunidades Portuguesas ao seu país. Acresce que a forma como representam e dignificam Portugal no estrangeiro é também a demonstração que acreditam no seu país, que acreditam na sua terra, que acreditam no nosso povo.

Como habitualmente costumo dizer nesta data, o 10 de Junho é muito mais que o Dia de Portugal. O 10 de Junho é o Dia de Portugal no mundo.

Carlos Gonçalves

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