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Lusodescendente no centro de polémica política no Luxemburgo

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Um cientista luxemburguês de origem portuguesa queixa-se de ter sido demitido por criticar a forma como as autoridades do país geriram as inundações de julho de 2021.

Jeff da Costa é investigador no domínio da hidrologia, no Luxemburgo e em Inglaterra, e foi despedido da empresa onde trabalhava. Segundo o próprio, o despedimento surge na sequência de críticas à forma como as autoridades geriram as graves inundações que atingiram o grão-ducado e países limítrofes em julho de 2021.

O cientista lusodescendente trabalhava nessa altura para a empresa RSS-Hydro com sede em Dudelange, no sul do Luxemburgo.

A “pressão política” foi a justificação avançada por Jeff da Costa para ser demitido. Questionado pela rádio 100.7, o diretor da RSS-Hydro, Guy Schumann, afirmou ter tomado a decisão de se separar de seu colaborador para evitar pressões políticas sobre a empresa e para “proteger os outros funcionários”. Contudo, o responsável nega ter sido abordado para tomar a decisão de demitir Jeff da Costa.

Nenhum ator político ou qualquer poder oficial terá pressionado a empresa para expulsar o investigador. No entanto, o diretor da empresa terá sido abordado por várias pessoas que o pressionaram nesse sentido. O próprio Jeff da Costa afirma ter sido abordado por vários deputados, que cruzou, por acaso, num café da capital.

Jeff da Costa, entrevistada por vários meios de comunicação, tinha criticado duramente a gestão das cheias de julho de 2021. Para o lusodescendente, o governo e as autoridades não alertaram a população enquanto as previsões do EFAS, o sistema europeu de alerta de cheias, dava informação mais do que suficiente sobre o perigo.

Segundo Jeff da Costa, o Luxemburgo não podia ignorar estes avisos, mesmo que se referissem principalmente à Bélgica e à Alemanha. E nos últimos dias, no Twitter, o cientista volta à carga: “o meu trabalho não é acreditar em milagres, mas apresentar factos e chamar a atenção para questões que não são específicas do Luxemburgo mas que também afetam este país. Há investigações sobre o risco de cheias na Bélgica e na Alemanha, mas o Luxemburgo diz crer que não há necessidade”.

Esta semana, a polémica sobre o despedimento de Costa teve mais um episódio político quando a secção jovem do CSV, emitiu um comunicado sobre o despedimento do lusodescendente, falando de “omerta luxemburguesa” e acusando o governo de arrogância e uma mentalidade que “evita qualquer debate público contraditório”.

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