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Jaime Neves

O meu irmão Miguel mostrou-me há uns meses uma das coisas mais fascinantes que vi feitas em Portugal recentemente.

A investigação publicada em mais de 8 horas de podcast feita pelo Fumaça. Não sei se há prémios no jornalismo para estas coisas, mas se há deviam ganhar.

Com a morte de Otelo Saraiva de Carvalho, vi quem viesse falar de Jaime Neves como outro militar do 25 de Abril que deveria ter sido homenageado.

Como eu já tinha ouvido o primeiro episódio desta reportagem, não me deixei enganar.

E vocês? Têm um irmão que vos tenha mostrado esta reportagem para saberem que a certa altura na guerra colonial Jaime Neves era o oficial que comandava mais de 2 mil comandos em Moçambique quando foram por eles cometidas as horrorosas chacinas de Wiriyamu, Mocumbura e Marracuene onde foram assassinados quase 400 civis, pessoas decapitadas, mulheres violadas, crianças mortas, pessoas queimadas vivas? E que o mesmo Jaime Neves fundou a empresa de segurança com uniforme igual ao dos comandos chamada 2045, cujo nome é homenagem à companhia de comandos portugueses que depois do 25 de Abril se recusava a parar de combater, continuava a atacar, a matar, e que Jaime Neves foi pessoalmente a Moçambique para os amnistiar em troca de pararem os confrontos?

Pedro Duarte Fernandes

 

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