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Há arte portuguesa para ver em Londres

 Uma exposição retrospetiva da obra de Paula Rego centrada na consciência social e política da pintora portuguesa, incluindo quadros exibidos pela primeira vez no Reino Unido, vai abrir no sábado em Milton Keynes, perto de Londres.

“Paula Rego: Obediência e Desafio”, no museu MK Gallery, abrange a obra desde os anos 1960 até 2011, com mais de 80 trabalhos, desde desenhos e gravuras em papel a colagens e pinturas em grandes telas.

A artista portuguesa, admitiu a programadora, Catherine Lampert, já alcançou um estatuto de “tesouro nacional”, tanto em Portugal, onde tem, desde 2009, um museu [Casa das Histórias – Paula Rego] dedicado à sua obra, em Cascais, como no Reino Unido, onde foi agraciada, em 2010, com o título de Dama da Ordem do Império Britânico.

Porém, essa imagem “pode distrair do seu talento como artista”, afirmou à agência Lusa, pelo que procurou concentrar-se no conteúdo da obra, cujos temas considera serem tão atuais agora como nos anos 1960 ou 1980.

“Quis ver os grandes quadros que ela fez sobre esses assuntos, em vez de olhar para ela apenas como uma ótima contadora de histórias”, vincou Lampert.

A faceta de ativista política de Paula Rego é visível no quadro “Salazar a Vomitar a Pátria”, de 1960, emprestado pela Fundação Calouste Gulbenkian para ser exposto pela primeira vez no Reino Unido, ao lado de “O Impostor” (1964), outro retrato sarcástico do ditador então no poder.

A retrospetiva mostra também as séries de Paula Rego sobre o aborto, acompanhadas por alguns dos esboços, obras sobre a mutilação genital feminina, além de séries mais conhecidas da “Menina e o Cão”, produzidas nos anos 1980, ou da “Mulher Cão”, nos anos 1990, que refletem sobre a condição da mulher.

“Sempre pensei que o trabalho dela foi mal representado em exposições anteriores, centrado em contos de fadas, fantasia e ilustrações. Mas o trabalho dela é muitas vezes baseado em eventos políticos verdadeiros”, comentou à Lusa o diretor do museu MK Gallery, Anthony Spira.

O museu reabriu há três meses com um espaço ampliado, e esta exposição, disse Anthony Spira, é um resultado do desejo da população da cidade, a cerca de 80 quilómetros a norte de Londres, de ver artistas mais diversos e abrangentes.

O novo espaço do museu inclui um auditório versátil com lugares para cerca de 150 pessoas, que pode tanto acolher concertos, como conferências, performances ou sessões de cinema, e que vai ter um programa português durante o verão.

É nesta sala que vai ter lugar um programa complementar de oito datas com música e cinema pensado pela plataforma Portuguese Conspiracy, com o apoio do Instituto Camões, que começa no sábado com um concerto de Lula Pena e João Pais Filipe.

Dullmea, Von Calhau, Tó Trips, João Doce, Negra Branca, Filho da Mãe, Rafael Toral, BEZBOG, Norberto Lobo e Tropa Macaca são outros dos artistas que vão atuar em sábados alternados nos próximos três meses.

A exposição encerra a 22 de setembro e parte depois em digressão, primeiro para o Museu Nacional de Arte Moderna da Escócia, em Edimburgo, e depois para o Museu Irlandês de Arte Moderna, em Dublin, sendo a primeira retrospetiva da obra de Paula Rego tanto na Escócia como na Irlanda.