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Filipinos não esquecem Fernão de Magalhães

As Filipinas estão a celebrar esta terça-feira os 500 anos da vitória do herói nativo Lapu Lapu contra Fernão de Magalhães, que morreu em 27 de abril de 1521 em Mactan, mas também o legado que deixou no país.

Se por um lado, as Filipinas glorificam a vitória de Lapu Lapu e a expulsão dos invasores estrangeiros, celebram hoje também algo que foi trazido por Fernão de Magalhães: o cristianismo.

“O cristianismo é o mais importante. Ele trouxe o cristianismo para as Filipinas”, explicou à Lusa o cônsul honorário de Portugal em Cebu, Samuel Chioson, sobre as comemorações da chegada do cristianismo ao país, levado pelo navegador português Fernão de Magalhães, que aportou em Cebu em março de 1521.

“Por isso também celebramos a sua chegada, que trouxe a nossa fé”, frisou, não fossem as Filipinas o maior país católico asiático.

Contudo, a tónica das celebrações do dia de hoje foi mesmo a vitória de Lapu Lapu contra Fernão de Magalhães.

“Magalhães implorou ao povo de Mactan que se rendesse, apenas para receber uma resposta de que, se os espanhóis tivessem lanças, os guerreiros de Mactan tinham lanças com pontas endurecidos no fogo”, lembrou hoje o Comité Nacional do Cinquentenário, da República das Filipinas.

“Devido à maré baixa, os barcos de Magalhães não conseguiram chegar à costa, forçando-os a caminhar em águas profundas. Ali, os guerreiros de Mactan atacaram os inimigos. Assustados com a súbita carga, os espanhóis entraram em pânico e começaram a disparar as suas armas e bestas, mas estavam demasiado longe para bombardear a costa. Em vez disso, os guerreiros Mactan regaram estes estrangeiros com flechas venenosas, e uma delas atingiu Magalhães na sua perna, caindo de cara para baixo”, acrescentaram.

A celebração nacional teve início às 08:00 no Santuário da Liberdade, na cidade de Lapu-Lapu, mas não só: um pouco por todo o país, em praças públicas, parques, edifícios e escolas, à mesma hora, realizaram-se cerimónias de hasteamento simultâneo da bandeira.

Em Mactan, no início das cerimónias oficias, no local onde se ergue a estátua de bronze do chefe nativo Lapu Lapu, marcaram presença embaixador espanhol nas Filipinas, o secretário-executivo do gabinete do Presidente filipino, Salvador Medialdea entre outros ilustres convidados.

“Há 500 anos, Lapu Lapu e os grandes guerreiros de Mactan lutaram ferozmente contra os invasores estrangeiros que ameaçavam o seu modo de vida”, disse o Presidente filipino, Rodrigo Duterte, em videoconferência.

Após as suas declarações seguiu-se um desfile militar em honra de Lapu Lapu e uma breve encenação da Batalha de Mactan.

Apesar da ênfase na vitória de Lapu Lapu, as Filipinas celebram também a primeira circum-navegação do planeta e o que isso significou para a humanidade e para a ciência, apontou o Comité Nacional do Cinquentenário.

“Neste 2021, comemoraremos a parte filipina na realização da ciência e da humanidade na circum-navegação do planeta pela primeira vez. No centro desta comemoração está o 500.º aniversário da Vitória em Mactan, a 27 de Abril de 2021″, indicaram.

Ainda relativamente às comemorações, vários monumentos e edificações por todo o país foram hoje iluminados a azul em celebração dos antepassados, mas também em representação de um gesto de esperança relativamente à pandemia.

“Hoje, recordamos a sua força ao honrar os dignos herdeiros do legado de Lapu Lapu. Os nossos médicos e pessoal da linha da frente que, face ao perigo causado pela pandemia de covid-19, continuam a arriscar as suas vidas, as suas próprias vidas para garantir a segurança dos seus companheiros filipinos”, afirmou Duterte.

O navegador português Fernão de Magalhães (1480-1521) notabilizou-se por ter organizado e comandado a primeira viagem de circum-navegação ao globo, ao serviço do rei de Espanha, alcançando o extremo sul do continente americano e atravessando o estreito que veio a ser batizado com o seu nome.

A viagem, a bordo da nau Victoria, começou a 20 de setembro de 1519, em Sanlúcar de Barrameda (sul de Espanha), e terminou a 06 de setembro de 1522, no mesmo local. Fernão de Magalhães foi o primeiro europeu a atravessar o estreito entre os oceanos Atlântico e Pacífico, a sul da América do Sul, que viria a ficar conhecido pelo seu apelido.

O navegador não terminou a expedição, uma vez que morreu nas Filipinas, em 1521, aos 41 anos, pelo que a viagem seria concluída pelo navegador espanhol Juan Sebastián Elcano.

A Rede Mundial de Cidades Magalhânicas integra cidades que pertenceram à rota estabelecida pelo navegador português ou a ele estão ligadas factualmente, nos diversos continentes, entre as quais Lisboa, Sabrosa e Ponte da Barca (Portugal), Sevilha, Sanlúcar de Barrameda e Tenerife (Espanha), Ushuaia, Puerto de San Julián, Puerto de Santa Cruz e Governo Provincial da Terra do Fogo (Argentina), Praia (Cabo Verde), Punta Arenas (Chile), Catbalogan City e Cebú City (Filipinas), Tidore (Molucas – Indonésia) e Montevideu (Uruguai).

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