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Filipa Tojal expõe obras arrojadas nos EUA

A pintora Filipa Tojal, que acaba de inaugurar a exposição “Verdant”, em Los Angeles, usou linhos tradicionais portugueses e pigmentos japoneses para mostrar o seu trabalho na estreia a solo nos Estados Unidos.

“Na minha família tínhamos estes linhos muito antigos, com mais de 100 anos, muito tradicionais e feitos à mão”, disse à Lusa a artista. “Senti que tinha de usar estes linhos, porque o linho é um material que usamos muito na pintura”, referiu.

A exposição patente até 15 de janeiro de 2022, na galeria Sage Culture, no Distrito das Artes da baixa de Los Angeles, contempla obras produzidas durante o verão de 2021, no Porto, após um período de quatro anos em que Filipa Tojal viveu no Japão.

“Quando voltei para Portugal fiz esta relação entre o papel, que é muito tradicional no Japão, e estes linhos”, explicou. “Como foi um voltar às origens, senti que isto era um material que deveria ser usado para esta exposição”.

A utilização de pigmentos naturais que trouxe do Oriente adicionou um elemento diferente ao trabalho, que não foi uma pintura normal no sentido moderno. “Há uma mistura entre aquilo que eu trouxe do Japão e aquilo que voltei a encontrar em Portugal”, referiu. “Esta exposição é interessante por causa disso”.

A artista portuguesa foi contactada pela galeria norte-americana depois de suscitar interesse com trabalhos partilhados numa plataforma ‘online’, baseada em Londres. A Sage Culture acabou por vender algumas das suas peças e a aceitação do seu trabalho levou-os a convidá-la para a sua primeira exposição a solo nos Estados Unidos.

“A ideia era criar uma atmosfera dentro do espaço da galeria e por isso os tons são sempre os mesmos”, explicou Filipa Tojal. “O verde tem a ver com experiências da natureza. A atmosfera que o verde permite, calma e serena, era aquilo que eu queria para esta exposição”, sublinhou. “É a cor que funciona mais em termos de envolvência, de estar presente em lugares silenciosos como florestas ou bosques”.

Salientando que o seu trabalho é sempre muito privado, feito na intimidade, a pintora disse que esta exposição – que tem mais de uma dezena de obras – irá alargar o seu alcance. “Esta exposição é grande, tem muitos trabalhos diferentes, acho que o meu trabalho vai ficar mais à vista das pessoas”.

Confiante de que os trabalhos terão boa aceitação em Los Angeles, a artista disse que uma das suas ambições é também expor no país de origem. “A minha ideia é que houvesse algum interesse por parte das galerias em Portugal, porque é um país que eu gosto muito”, indicou.

Agora a viver em Sydney, Austrália, onde passará os próximos meses, Filipa Tojal disse que está igualmente interessada em explorar a sua arte neste país.

“Interessa-me ver lugares diferentes, estar em atmosferas diferentes”, indicou, referindo que levou linhos portugueses na bagagem. “Queria ver se fazia uma exposição aqui, fazer um trabalho relativo à paisagem na Austrália”.

Ainda sem certeza sobre as influências que porá na tela no futuro, a artista explicou que o seu trabalho começou por ser muito colorido e depois foi para o azul, antes de chegar ao verde patente em Los Angeles.

“Como me interessa mesmo muito entender a pintura e a linguagem da pintura inerente ao material e à cor, interessa-me também explorar por cores”, afirmou, dizendo que o seu trabalho está agora a ficar um pouco mais pastel. “Não sei se a seguir serão cores mais calmas”.

Licenciada em Pintura pela Faculdade de Belas Artes da Universidade do Porto, Filipa Tojal tem também um Mestrado em Pintura na Geidai – Universidade de Artes de Tóquio, Japão.

A exposição “Verdant” foi inaugurada a 18 de novembro e estará disponível, apenas por marcação, até 15 de janeiro de 2022.

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