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Exemplos de solidariedade em tempos de pandemia

A pandemia da covid-19 deixou Portugal fechado em casa e praticamente paralisado, mas a crise sanitária deu uma revigorada força à solidariedade da sociedade civil, que se multiplicou em iniciativas de apoio por todo o país.

Movimentos sociais, empresas, autarquias, instituições culturais, desportivas ou religiosas, e até cidadãos a título individual mobilizaram-se em poucos dias para um desafio coletivo. Da doação de equipamentos de proteção aos profissionais de saúde à fabricação de ventiladores ou gel desinfetante, passando por refeições e dormidas gratuitas, cedência de instalações ou criação de bolsas de voluntariado, a ajuda social conheceu muitas faces.

O movimento cívico ‘SOS.COVID19.PORTUGAL’ nasceu por força da pandemia e em cerca de duas semanas angariou através de ‘crowdfunding’ aproximadamente 94 mil euros em donativos, distribuindo 39.025 máscaras cirúrgicas, 3.000 máscaras FFP2 e 3.335 viseiras pelos hospitais de São João, Santa Maria e Garcia de Orta. Mas não foi o único e estendeu-se de norte a sul, da Madeira aos Açores.

A Cruz Vermelha Portuguesa lançou o movimento ‘#EuApoioQuemAjuda’, destinado ao financiamento de meios para o desenvolvimento de iniciativas, projetos e operações para prevenção e controlo da pandemia. Já o ‘#ProjectOpenAir’ propôs pela plataforma ‘vent2life.eu‘ a recuperação de cerca de 200 ventiladores avariados ou inativos e a sua disponibilização para o Serviço Nacional de Saúde (SNS).

Diferentes forças da sociedade foram sinónimo de respostas distintas: a Fundação Calouste Gulbenkian criou um fundo de emergência de cinco milhões de euros, a Fundação Centro Cultural de Belém partilhou online concertos, conferências e outras atividades, o Banco Alimentar avançou com a Rede de Emergência Alimentar, dioceses e hotéis disponibilizaram camas, e instituições universitárias cederam material para o combate ao SARS-CoV-2, o novo coronavírus que provoca a doença covid-19.

Muitas empresas também avançaram com iniciativas solidárias, entre comuns doações de material médico (Galp, Mota-Engil ou EDP) e reconversões originais dos meios de produção, como 26 micro-cervejeiros, o grupo Super Bock ou as destilarias Levira e Black Pig, que reconverteram o álcool da produção de cerveja e gin para dezenas de milhares de litros de solução desinfetante para diversas unidades hospitalares.

Outros exemplos surgiram do Centro para a Excelência e Inovação na Indústria Automóvel, em Matosinhos, e do projeto ‘Air4All’, em Cascais, que se dedicaram ao desenvolvimento de protótipos de ventilador pulmonar; de um grupo de costureiras e informáticos da região de Torres Vedras, que uniram esforços para confecionar máscaras e produzir viseiras em impressoras 3D, ou da empresa de velas náuticas PL Sails, que agora fabrica também viseiras.

Os gestos solidários chegaram ainda de cidadãos a título individual que procuraram fazer a diferença, como António Revez da Silva, um técnico de equipamentos de laboratório que, com o apoio de médicos e através de materiais simples, elaborou um sistema pneumático para atuação automática de um ressuscitador manual, com o objetivo de ajudar a libertar ventiladores hospitalares para situações mais críticas de dificuldade respiratória.

Sob o lema “Em tempos difíceis não há concorrência, há solidariedade e cooperação”, seis cadeias de restaurantes – que representam as marcas Aruki, Chickinho, Grupo Non Basta, Home Sweet Sushi, Sushi @home e The Burguer Guy -, associaram-se para a distribuição gratuita de refeições aos profissionais de saúde.

O futebol também não passou ao lado da pandemia e colocou rivalidades de lado para se focar no apoio social. Cristiano Ronaldo doou unidades de cuidados intensivos, o presidente do Sporting, Frederico Varandas, que é médico e ex-miliar, regressou ao serviço como voluntário, o Benfica doou um milhão de euros para material para o SNS e o FC Porto colocou o pavilhão Dragão Arena à disposição das autoridades de saúde para eventual hospital de campanha.

As autarquias estiveram na primeira linha de ajuda – nas mais diversas variantes – às populações. A Câmara Municipal de Lisboa concebeu uma rede solidária com mais de 700 pessoas, o município de Ovar, encerrado num cordão sanitário desde dia 18, anunciou o pagamento de medicamentos e refeições a famílias carenciadas, e a autarquia de Famalicão criou aulas online de exercício físico contra o sedentarismo, entre muitos outros exemplos nacionais de ajuda.

O novo coronavírus, responsável pela pandemia da covid-19, já infetou mais de 750 mil pessoas em todo o mundo, das quais morreram mais de 36 mil. Dos casos de infeção, pelo menos 148.500 são considerados curados.

Em Portugal, segundo o balanço feito pela Direção-Geral da Saúde, registaram-se já 160 mortes e 7.443 casos confirmados de infeção.

#portugalpositivo