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E se a TAP desaparecesse?

A Associação Portuguesa das Agências de Viagens e Turismo (APAVT) concorda com os apoios à TAP, cujo desaparecimento seria uma “hecatombe”, já que a companhia é fundamental para o turismo e este para a recuperação económica de Portugal.

“Nós estamos de acordo com os apoios [à TAP]. Estamos de acordo com os apoios porque temos a consciência que a TAP é absolutamente fundamental para o turismo português e temos a consciência que o turismo português é absolutamente crucial para a recuperação económica, para o emprego (…) e para a recuperação a nível das contas externas. Não temos nenhuma dúvida disso”, disse o presidente da APAVT, Pedro Costa Ferreira, em entrevista à Lusa.

Aos que argumentam que se a companhia aérea de bandeira desaparecesse, outra poderia vir fazer o mesmo serviço, Pedro Costa Ferreira contraria, considerando essa ideia uma “meia verdade”.

“Será fácil invocar que caindo a TAP alguém nascerá ao lado… isso é só meia verdade. (…) Em primeiro lugar, no momento atual, substituir as rotas da TAP não demoraria menos de dois anos. Não creio que a economia portuguesa possa esperar dois anos (…). Em segundo lugar, substituir a companhia aérea portuguesa por uma com uma bandeira estrangeira seria provavelmente abandonar o ‘hub’”, o aeroporto que serve como centro de distribuição e transferência de voos em Portugal, afirmou o responsável.

E assim, para o responsável, correr-se-ia o risco de perder os turistas que chegam, por exemplo, em voos de longo curso – nomeadamente de rotas que a TAP apostou nos últimos anos – de mercados que vinham a crescer muito em Portugal.

“Abandonar o ‘hub’ era abandonar todo o tráfego de ‘long haul’ [voos de longa distância], o tráfego brasileiro, o tráfego americano, o tráfego canadiano, o tráfego que temos que construir com a China. E abandonar esse ‘hub’ era abandonar o maior desafio do turismo português – e provavelmente da economia portuguesa – que é resolver estes mercados mais distantes”, acrescentou.

“Certamente que, ao contrário do que alguma teoria pode sugerir, achamos que seria uma hecatombe para o turismo e uma hecatombe para a economia portuguesa se a TAP desaparecesse de um dia para o outro”, sublinhou Pedro Costa Ferreira.

Pedro Costa Ferreira diz, no entanto, que posto isto “é razoável exigir da TAP que finalmente apresente resultados”, exigir que “a reestruturação não seja mais um passo em falso”.

“Acho que é uma responsabilidade enorme da TAP relativamente à qual todos contamos que se deem bem e que tenham êxito e nós estamos dispostos a ajudar porque se a TAP recuperar é bom para todo o ecossistema turístico e também para nós”, explicou.

Sobre recentes divergências com a companhia aérea, o presidente da APAVT admite que “a relação com a TAP tem sido mais fácil desde que foi substituído o anterior CEO [presidente executivo]”, Antonoaldo Neves.

“É verdade, era uma relação bloqueada. É uma relação que desbloqueou e eu não gostaria de personalizar o assunto – até porque a pessoa já cá não está -, mas o que interessa se calhar para a TAP e para os agentes de viagens é que a relação hoje é da maior confiança, em meu entender. É de maior lealdade e temos alguns processos críticos, nomeadamente o plano de reembolsos da TAP às agências de viagens, que são processos que desbloquearam, que estão a correr bem e que perspetivam que num breve espaço de tempo as agências de viagens estejam totalmente reembolsadas por parte da companhia aérea portuguesa e isso são boas notícias”, considerou Pedro Costa Ferreira.

Relativamente ao acerto de contas com a TAP, Pedro Costa Ferreira disse que, atualmente, as agências de viagens já foram reembolsadas de “alguns milhões” e que “não estarão tantos assim [em falta] para que este processo termine”.

“(…) provavelmente até final de junho, a minha ambição é que o processo de reembolsos [esteja terminado]. Haverá sempre umas centenas ou uns milhares de processos por resolver, alguns ‘vouchers’ cujos valores estão em litígio e quando digo litígio não há uma relação tensa, litígio porque há opiniões diferentes, e estamos a chegar a conclusões. É justo conceder que, neste momento, a capacidade de trabalho da TAP a estes níveis administrativos está seriamente debilitada por tudo o que tem acontecido na companhia e temos que ter aqui algum ‘fair play’ e ajudar” a permitir também prazos mais alargados”, concluiu.