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Domingo, Outubro, Nova Iorque

quando descerrei as pálpebras
já o sol desfolhava luz
sobre o Central Park,
tão desfolhado já, mas tão florescente
(o serviço de meteorologia tinha anunciado chuva)

tu tinhas saído para o quotidiano
há um par de horas,
o meu corpo, na tua cama, feliz,
a minha alma, sentada à tua frente, vendo-te trabalhar, esperando o teu regresso, feliz,
na varanda, um melro em arpejos eloquentes
e estivais, acredito que tentando explicar musicalmente à companheira
o que eu também sinto

desgastados ainda os meus músculos
do demorado passeio pelo paraíso
(quero repetir),
espalhadas pelo chão, tão vermelhas
quanto ontem, continuam a luzir
e a perfumar o quarto as rosas que colhi furtivamente no quintal do teu vizinho
(vais matar-me, eu sei);
nos lençóis, pétalas de vinho tinto
e tingimentos de outros néctares,
na minha pele, bailando,
perfumoso, o teu cheiro

desejo-te

na tua almofada, fitando-me, rendilhado esfiando-se, carmim, o teu soutien;
nas minhas mãos, em surdina, húmidas,
a gemer, poema palpável, as tuas cuecas

abençoado disco de John Coltrane
que nos trouxe até tua casa

dm