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Convenção do Chega com “dores de crescimento” e Ventura vitorioso

O presidente do Chega foi hoje aclamado várias vezes por centenas de eufóricos militantes, garantiu renovados poderes, mas foi obrigado a disputar um “prolongamento” para aprovar a nova direção nacional por dois terços.

André Ventura recebeu um tratamento de “homem providencial” ao longo dos dois dias de trabalhos na II Convenção Nacional, em Évora, chegando mesmo a comparar o partido nacional populista a uma “religião dos portugueses comuns”, ao mesmo tempo que tentou “reencarnar” o falecido e histórico líder do PPD/PSD Sá Carneiro.

Porém, na altura de submeter a lista de dirigentes por si escolhida ao escrutínio dos delegados, só à terceira tentativa conseguiu o seu objetivo, num autêntico “braço-de-ferro” com parte dos delegados, que durou quase o dia inteiro.

A reunião magna começou no sábado com muitas críticas de diversos delegados ao funcionamento interno do partido, muitas reclamações, especialmente contra o Conselho de Jurisdição – órgão disciplinar e fiscalizador -, e até com disputas ao nível distrital e concelhio.

Ventura justificou o sucedido como “dores de crescimento” de uma força política que em menos de dois anos passou de duas mil para 20 mil pessoas, mas foi puxando pelas massas com, por exemplo, a aspiração de vir a formar Governo em Portugal.

Eleger deputados regionais nos Açores em outubro, obrigar Marcelo Rebelo de Sousa a uma segunda volta nas Presidenciais de janeiro, conquistar mandatos autárquicos em 2021 e tornar-se terceiro partido mais votado nas próximas Legislativas (previsivelmente em 2023) foram as metas estabelecidas.

“Nenhuma coligação seja com que partido for”, garantiu, sublinhando que o Chega “não é do sistema” e almeja uma IV República.

O ambiente de evangelização foi uma constante até à noite de domingo, quando já muitos participantes se tinham retirado para voltar a casa.

Entre os delegados e observadores do evento observou-se uma grande maioria de homens, acima dos 40 anos, com estilo militar ou das forças de segurança, e muitos assumidos antigos militantes de PNR, CDS-PP, Aliança, PSD, mas também alguns simpatizantes de BE e PCP.