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Como as ondas ao beijar a areia

nas falésias rochosas e no topo dos penhascos.
nas paredes rugosas, no conforto da lareira, nas artérias, nas veias.
nas histórias de embalar e na cadeira de baloiço. no sol e no mar. no fundo do poço.
nos estádios. nos mercados. além-mar, onde a terra nasce com o sol poente. no desconforto. do lado esquerdo, do lado direito, como omnipresente deus insatisfeito, no corpo e mente e no peito, além-terra, junto ao mar. sem plateia. na espuma do oceano que ensaibra dentro descansa por instantes e:

é como as ondas ao beijar a areia.

(ouve-a ao longe – a sussurrar em crescendo;
faz-se vibrar em passo lento, deixa-se saborear, pede silêncio
antes de me afundar nela e náufrago a acompanhar no regresso ao lar)

é o toque que me gela os ossos antes dos músculos, o suave encanto
de uma onda vertiginosa a encharcar-me a pele. é o chamado distinto
que dizem os búzios ser portadores – a brisa do mar (ou da palavra)
que se mistura com a cristalinidade das águas em mutação (ou das ideias
sem amarras), e a todo o momento se reforma essa complexa arma-expressão.

(nadaremos na maré vazia à noite,
molharemos os pés na nova vaga durante o dia.
do mais ínfimo átomo e
do mais simples ato
nasce poesia.)