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Coitadinho do Putin…

© DR

Estava aqui a pensar que o coitadinho do Putin tem o trabalho, lá no seu modesto palacete, de escrever um ensaio todo catita, assim com muitos parágrafos. Em que ora é político, historiador, antropólogo, demógrafo, poeta, deus e por aí adiante. Publica o texto em três línguas. Dá-lhe um nome todo pomposo (em inglês é “On the Historical Unity of Russians and Ukrainians”). Tem a possibilidade de em várias ocasiões discursar sobre o mesmo, inclusive na sua declaração de guerra. E os seus fãs não respeitam o homem.

O Putin quer mostrar a que ponto é um intelectual, um ideólogo, não quer ser confundido com o cowboy rústico e superficial do Trump. O Putin quer igualmente ser o magnifique pater famílias da Grande Rússia, quer salvar o povo Russo do “genocídio” do qual fazem também parte os Ucranianos, visto serem para ele um só povo (ele tem lá a sua lógica), e os fãs querem-no fazer passar por um paizinho amedrontado com a Nato, os Estados Unidos, o MacDonalds, o Mickey e o diabo… e ainda por cima chamam-no de estúpido. É porque se o objetivo era afastar as potências ocidentais da Ucrânia e trazer a birrenta de volta para casa a estratégia é um bocado aparvalhada. E o Putin é mais esperto que isto, ou (talvez) não?

A Maya Angelou dizia “When people show you who they are, believe them the first time”. Mas os fãs não querem acreditar. O Putin até lhes podia gritar na cara ao que vem, que estes continuariam a responder num reflexo pavloviano: “Nato”.

Tivemos, temos e teremos infelizmente razões de sobra para bater nas Natos desta vida. Mas o antiamericanismo primário esvazia toda a credibilidade na luta anti-imperialista. Várias foram as nações que praticaram e praticam essa disciplina e a Rússia de Putin é sem dúvida uma delas. Dar força a Putin para contrariar a força dos EUA é credibilizar e reforçar um sistema de luta entre grandes potências militares que nos levará sempre à guerra, ao conflito, à tensão, ao medo. O que se quer é o fim desta lógica de poder e subjugação dos mais fracos seja da parte de quem for. O que se quer é cooperação, diálogo, compromisso, internacionalismo do verdadeiro, multilateralismo do verdadeiro. O povo, as pessoas é que interessam, porque são sempre elas que pagam quando as cabeças dos líderes não têm juízo. Ideologias que secam corações, que põem à frente das vidas de pessoas ódios de estimação…. non, merci!

Luísa Semedo

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