De que está à procura ?

luxemburgo
Lisboa
Porto
Luxemburgo, Luxemburgo
Colunistas

Brexit

Eu acho muito bem que se num país a maioria dos seus cidadãos decide não permanecer na União Europeia, que esse país saia! O mínimo que os outros membros comunitários esperavam é que tivessem um plano de saída, que um país como a Grã-Bretanha tenha pensado nisso antes de se meter nessa aventura! Estas desorganizações, na óptica de uma superioridade britânica, seriam dignas de países do sul!

Curiosamente, a Grã-Bretanha só viu concedida a entrada na União Europeia à terceira tentativa, e Charles de Gaulle lá saberia porquê. Aderiram no primeiro dia de 1973 e poucos anos mais tarde os seus dirigentes iniciaram um processo de culpabilização da União acerca de tudo que corresse mal internamente. Infelizmente a sua população foi acreditando nessa mentira mesmo que a Grã-Bretanha fosse uma das economias que mais floresceu até ao momento em que os seus eleitores, aqueles que foram votar, decidiram sair da União.

Claro que a Grã-Bretanha e exercendo o seu direito, sempre se manteve à margem de qualquer iniciativa de aproximação e entrosamento como o tratado de Schengen ou da criação do Euro, apesar de acharem que podia ter assento naqueles que decidiam a política económica e financeira da Zona Euro!

Mais recentemente, e com a crise de refugiados, a Grã-Bretanha manteve-se de lado, como se isso fosse apenas um problema do Sul da Europa e não mundial e reforçou as suas fronteiras! Muito estranho porque bastantes refugiados são originários de países que integram a prestigiada, protegida e solidária Commonwealth como por exemplo o Ruanda, o Quénia, Gâmbia, Gana, Nigéria e Paquistão, ou mesmo, o ex-integrante Iraque! Também não se mostra muito interessada em ajudar países que compõem essa organização, eventualmente desportiva, como Malta ou o Chipre.

Agora que decidiram sair, o que dirão aos escoceses que votaram pela continuação de estarem integrados na Grã-Bretanha porque isso lhe garantia a manutenção na União Europeia? O que irão dizer aos habitantes da Irlanda do Norte? De que forma sossegarão os habitantes de Gibraltar?

O que dirão aos eleitores que votaram pela saída e agora se sentem defraudados e se sentem enganados? Onde estão todos aqueles que com elegância e retórica que antes do referendo promoveram a saída? Como é possível o governo assinar um acordo, o mesmo ser rejeitado pelos deputados que não conseguem desenhar o que pretendem?

O que dirão quando enfermeiros e médicos portugueses, cientistas espanhóis, professores franceses, financeiros alemães abandonarem o Reino Unido porque o ambiente é hostil, a economia decresceu e a Libra desvalorizou-se?

Talvez não seja necessário responderem a esta quantidade de perguntas, mas ao menos podiam dizer o que querem.