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Biden tem o desafio de conquistar Wall Street

A tomada de posse do novo presidente dos Estados Unidos da América realizada esta quarta-feira acabou por ser celebrada sem incidentes. O novo presidente dos EUA reforçou a necessidade de união e de pacificação, bem como a perspetiva de intervenção na economia americana através da aplicação de novos estímulos económicos.

No primeiro dia do novo presidente dos EUA, o democrata assinou 17 ordens executivas, onde a maior parte delas estão relacionadas com políticas do antigo presidente Donald Trump. Algumas políticas que foram revertidas passaram pelo regresso dos EUA ao acordo de Paris e à OMS.

Os principais índices norte-americanos, como o S&P 500, NASDAQ e Russell 2000 atingiram novos máximos históricos durante o dia de ontem e esse sentimento positivo acabou por impactar também a abertura do mercado asiático e europeu.

Antes de tomar posse, Joe Biden já tinha apresentado detalhes sobre o seu pacote de estímulos à economia americana, mas o mercado acabou quase por ignorar os detalhes que foram fornecidos pelo próprio.

Os investidores também deverão estar cientes de que os incentivos fiscais e monetários não terão a capacidade de manter o mercado em alta a longo-prazo, pois tornar-se-ia insustentável estas medidas.

Donald Trump ao longo do seu mandato tem conseguido conquistar Wall Street é visto como uma mais valia para os mercados. Ora, Biden terá o desafio de conseguir convencer Wall Street que também pode ser uma mais valia, independentemente das políticas monetárias que pretende implementar na economia americana.

No entanto, as intenções do democrata de recuperar a “economia velha” dos EUA bem como a introdução de uma maior utilização de energias renováveis com especial ênfase no setor automóvel, poderá impactar de forma positiva alguns setores.

O índice que mede o desempenho das 2.000 empresas de pequena capitalização, o Russell 2000, tem vindo a valorizar desde que fora anunciada a vitória de Biden nas presidenciais. Ora, caso o novo presidente avance com as medidas de incentivo às empresas mais pequenas, podemos expectar que o Russell 2000 ainda possa apresentar potencial para continuar a valorizar.

O setor automóvel tem sofrido várias alterações ao longo da pandemia e a mudança neste setor poderá ser apoiada pelas políticas do novo governo. A redução das emissões de combustíveis fósseis é um dos objetivos do democrata.

Por outro lado, o mercado das matérias-primas como o petróleo, poderá ser afetado a médio/longo-prazo e as cotações que o Crude tem vindo a ser negociado pré-pandemia, poderão ficar muito limitadas devido à possível diminuição da procura no mercado.

As relações entre EUA-China também tem boas perspetivas de melhorar mas, a recém nomeada secretária do Tesouro e ex-presidente da Reserva Federal, Janet Yellen já manifestou a intenção de cooperar com a Europa para travar o recente aumento e domínio do mercado chines que tendem a poder tornar-se prejudiciais para a economia mundial.

Por fim, a questão em torno da pandemia provocada pela covid-19 continua a ser um tema que tem ocupado as manchetes e Joe Biden não é indiferente ao assunto. Anteriormente o presidente já tinha manifestado a intenção de voltar a impor novas medidas de confinamento no país se a pandemia continuar a propagar-se a um ritmo elevado, à semelhança do que está a acontecer na Europa.

Estas medidas acabam por ser o principal fator de risco para as bolsas de valores americanas e voltam poderão voltar a colocar alguns índices sob pressão.