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Bem-estar infantil: Portugal em 17º lugar

Um relatório do Fundo da ONU para a Infância, Unicef, revela que fatores como suicídio, infelicidade, obesidade e habilidades sociais e académicas deficientes se tornam cada vez “muito comuns” em crianças de países de alto rendimento. 

Portugal é o único país lusófono no grupo e ocupa a 17ª posição na tabela que classifica 41 nações da União Europeia e da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE).

Foram analisados indicadores como saúde mental, física e habilidades académicas e sociais. É com base nesses três indicadores que Holanda, Dinamarca e Noruega ocupam o topo da tabela publicada pelo Centro de Estudos Innocenti da Unicef.

De acordo com a diretora da instituição,  Gunilla Olsson, muitas crianças de países mais ricos do mundo fracassam, mesmo com os recursos para que tenham boa infância.

A representante alerta que sem medidas rápidas e decisivas dos governos para proteger o bem-estar infantil na resposta à pandemia, pode-se continuar esperando que haja taxas crescentes de pobreza infantil.

A deterioração da saúde física e mental associada ao déficit, cada vez maior, de habilidades é evidente no relatório “Mundos de influência: entender o que molda o bem-estar infantil em países ricos, que também estuda o período pré-pandemia”.

O relatório menciona haver baixa qualidade do apoio famílias e crianças em relação à Covid-19, realçado que “muito mais deve ser feito para proporcionar uma infância segura e feliz às crianças”.

No primeiro semestre deste ano, grande parte dos países analisados manteve as escolas fechadas por mais de 100 dias, enquanto implementava políticas rígidas de confinamento domiciliar.

O efeito dessas restrições foi “catastrófico” para o bem-estar das crianças quando associado à perda de familiares e amigos, ansiedade, falta de apoio, fechamento de escolas, equilíbrio entre trabalho e vida familiar, acesso precário aos cuidados de saúde e perdas econômicas. Sua saúde física, mental e desenvolvimento foram afetados.

A taxa média de pobreza infantil relativa nos 41 países era de 20% antes da pandemia. Esse indicador deverá agravar se governos não tomarem “medidas corretivas imediatas” com a previsão de queda do Produto Interno Bruto, PIB, em quase todas essas economias nos próximos dois anos.

As propostas incluem baixar a desigualdade em renda e pobreza assegurando o acesso de todas as crianças a recursos necessários e abordadando “a grave lacuna nos serviços de saúde mental para crianças e adolescentes”.

O estudo recomenda melhoras em políticas do Covid-19 que apoiem famílias com crianças. Outra sugestão é que sejam garantidos orçamentos que apoiem o bem-estar da criança e estas sejam protegidas das medidas de austeridade.

O documento aponta que crianças com famílias em posição social menos favorecida e vítimas de bullying têm saúde mental significativamente pior.

A Lituânia tem a maior taxa de suicídio de adolescentes, seguida pela Nova Zelândia e pela Estônia. Esta é uma das principais causas de morte entre jovens de 15 a 19 anos nos países ricos.

Cerca de uma em cada três crianças em todos os países analisados estão obesas ou com sobrepeso, com um aumento acentuado de taxas no sul da Europa. Em mais de um quarto dos países ricos, a mortalidade infantil ainda é superior a uma por mil crianças.

As crianças da Bulgária, Romênia e Chile são as menos proficientes em leitura e matemática.

O relatório inclui dados sobre “áreas de progresso claro” no bem-estar infantil. Em média, 95% das crianças em idade pré-escolar estão agora matriculadas em programas de aprendizagem organizados.

O número de jovens de idades entre 15 a 19 anos, que não estudam, não trabalham ou são capacitados, diminuíram em 30 de 37 países.

A agência destaca que o investimento nas crianças é um investimento direto no nosso futuro.

#portugalpositivo