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Associação Raras: o problema dos reformados vai demorar anos a resolver

Criada em 2006 por cinco jovens chocadas “com um país de excessos”, a Raras é uma associação que começou por recolher ajuda para pessoas necessitadas em Portugal. Em 2010, Isabel Ferreira, mãe de uma dessas jovens, retomou a associação para tornar a estrutura mais ativa no domínio do aconselhamento e solidariedade.

Atualmente, “a Raras mobila casas, tira pessoas da rua, e não há domínios da solidariedade que desconheça”, afirma Isabel Ferreira que agora decidiu passar a responsabilidade de presidir à associação para Inês Figueiredo, sua filha e assistente social.

No Luxemburgo a associação tornou-se mais conhecida pela assistência que presta a portugueses nas suas “démarches” administrativas, sobretudo na preparação de dossiês relativos aos direitos de reforma. “Não quero que a Raras seja vista como a associação para os reformados mas as pessoas que querem ser reformadas são os que mais nos procuram”, explica Isabel Ferreira.

Durante uma entrevista que concedeu ao BOM DIA, e na qual anunciou a mudança de liderança da estrutura, Isabel Ferreira reagiu também à atual situação da gestão dos dossiês de portugueses que pretendem obter documentação para fazer os pedidos de reforma: “viu-se uma decadência total na qualidade dos serviços”. E relativamente ao anúncio da criação de um polo para as questões internacionais do Centro Nacional de Pensões, anunciada pelo deputado Paulo Pisco, Isabel Ferreira é cética: “não acredito que as coisas melhoram antes de uns anos”.

“Só acredita que não vai demorar tempo quem não conhece os serviços e as condições em que as pessoas trabalham”, afirma Isabel Ferreira, explicando que as pessoas trabalham com caixotes e em condições muito difíceis. Segundo a responsável da Raras, a digitalização anunciada vai certamente ajudar, mas não no imediato.

Referindo-se à entrevista de Paulo Pisco ao BOM DIA este fim-de-semana sobre novas medidas para melhorar o serviço do Centro Nacional de Pensões, Isabel Ferreira declara que “o senhor deputado é utópico e não sabe do que fala”. Por isso a Raras vai manifestar junto do Secretário de Estado das Comunidades, José Luís Carneiro, no dia 11 de fevereiro, data em que terá lugar um Diálogo com as Comunidades no Luxemburgo.

A dirigente da Raras queixa-se de o tempo de espera ter aumentado nos últimos anos: “há três anos o tempo de espera não ultrapassava os seis meses”. Isabel Ferreira “indigna-se” com a falta de capacidade dos políticos para terem antecipado esta vaga de reformados portugueses nas comunidades, “tendo em conta que a emigração foi nos anos 70 e, por isso, agora estão os portugueses a reformar-se.

Isabel Ferreira queixa-se ainda do facto de Paulo Pisco não se ter encontrado com a Raras na sua visita ao Luxemburgo, pois gostaria de lhe “relatar algumas das situações mais problemáticas” do ponto de vista social, e refuta a acusação de que a Raras e outras estruturas privadas ou associativas criem desigualdades ao intervirem na busca daquilo que considera ser “a equidade social”. Isabel Ferreira dirigi-se ao deputado socialista afirmando que na Raras “não há qualquer pagamento de serviços”, e por isso nenhum “aproveitamento”. “Nós não cobramos nada”, conclui Isabel Ferreira, explicando que as pessoas que auxilia na resolução dos casos só pagam quotas “se puderem”.