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“Arquipélago” de Joel Neto

Várias foram as pessoas que me aconselharam a leitura livro Arquipélago do escritor Açoriano Joel Neto. Chegada a hora da minha leitura – sim, porque acredito que até os livros nos chegam às mãos na altura devida, li o livro com alguma curiosidade e até deslumbramento!

Todos os livros têm essa função intrínseca de narrar uma ou várias histórias. A ficção na sua narratividade leva-nos ao centro da vida das personagens e com ela empreendemos uma viagem que tanto pode ser literária, geográfica ou emocional.

Joel Neto escreveu neste livro uma epopeia. No entanto, e fugindo à regra das epopeias clássicas, o personagem principal não é nenhum herói, nem realizou, pelo menos até a uma parte do livro, nenhum ato heroico. José Artur deixou muito novo a ilha Terceira, na companhia dos pais, levando com ele as memórias visuais de uma ilha e as memórias de um avô que o marcaria emocionalmente para sempre.

José Artur é um homem desencantado da vida, com um casamento falhado, um filho de quem se distancia cada vez mais, uns tantos amores frustrados, uma carreira de professor arruinada. É neste momento da sua vida que José Artur volta à Terceira. Contudo, ao contrário de Ulisses que tem Penélope à sua espera e o filho Telémaco que o procura, José Artur não tem ninguém que o espere ou acolha. Ítaca – neste caso a ilha Terceira, recebe-o de braços abertos, com toda a sua beleza, a sua riqueza geográfica, cultural e mítica.

Chegado à ilha, José Artur inicia uma jornada de descoberta; descoberta da ilha, das suas histórias, dos seus usos e dos seus costumes, do seu folclore, o reconhecimento dos odores e sabores, e também da redescoberta dos seus mitos, da sua ancestralidade. Mas, mais importante, redescobre a sua história, a sua identidade pessoal, o valor das pessoas e o seu legado sentimental e emocional.

São várias as personagens que se irão cruzar no caminho de José Artur. Todas com a função de mostrar ao personagem e ao leitor a riqueza de uma terra e a riqueza que cada um carrega dentro de si com a finalidade de descobrir enigmas, sentimentos, clarificar histórias escondidas e mal interpretadas.

Nesta demanda de uma vida nova, José Artur vai se tornando num homem diferente. Reencontra-se com o filho reatando com ele sentimentos adormecidos e encontra a mulher que lhe viria a dar sentido à vida e aos sentimentos.

É claro que o livro é muito mais do que isto. Para além de ser um roteiro geográfico da ilha Terceira é também uma narrativa onde a cultura do arquipélago está bem delineada e a representação da derrota e das conquistas de cada homem está bem representada.

Espero ter deixado a semente da curiosidade pela descoberta individual deste livro que me tocou particularmente.