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A Festa do Avante

Claro que tinha que fazer um artigo sobre a Festa do Avante. A primeira vez que fui tinha 14 anos. Fui com os meus pais, ver o Sérgio Godinho e o Jorge Palma. Mudou a minha vida. Não é uma hipérbole.

Dois anos depois, numa aula de inglês do British Council, a professora inglesa, que era toda prá frentex, perguntou-nos se já tínhamos ido a algum festival de verão. Eu respondi “mais ou menos” e ela perguntou como é que se podia “mais ou menos” ir a um festival de verão, achando que eu estava a mentir só para não ser o único que não tinha ido e impressionar as miúdas. Eu disse-lhe que tinha ido à Festa do Avante, que não era bem um festival de verão.

Só hoje, 20 anos depois, com todos os ataques à sua realização, percebo PROFUNDAMENTE o quão o Avante! não é um festival de verão.

Ao realizar a Festa do Avante adaptada para o mundo pós-Covid, o PCP está a materializar a sua missão para o presente, que é o mundo Covid-19. O PCP é um partido que materializa o que defende, em vez de apenas formular ideias discursivamente, e isso diz-me muito pois sou produtor de filmes. Para mim só existe o que é materializado. A minha mãe ensinou-me que não interessa o que se diz, interessa o que se faz.

Ao realizar um evento para 100 mil pessoas cumprindo as regras da DGS para o mundo pós-Covid, o PCP está a apontar o caminho através de um feito de um alcance extraordinário e para o futuro.

O que o PCP está a fazer é a ser a vanguarda do que serão os eventos possivelmente para o resto da nossa vida. Muita gente acha que em 2021 o mundo voltará ao normal. Mas vem aí a segunda vaga e possivelmente o resto da vida teremos de usar máscaras, como desde a chegada do vírus da SIDA passámos a ter que usar máscaras outro sítio.

O que o PCP está a fazer ao fazer isto é demonstrar-nos que é possível continuar a viver. Que apesar da SIDA podemos continuar a fazer sexo. E a demonstrar que para viver, vamos ter de nos organizar. Vamos ter de nos adaptar para podermos resistir. Vamos ter que ser ainda mais fortes e mais organizados para fazer frente a um mundo capitalista que está a destruir a natureza gerando novas prováveis pandemias e estados de excepção com maior frequência.

Por isso, o que o PCP está a fazer com esta festa do Avante é futurismo. É dar-nos esperança. Se não temos esperança, desistimos de lutar. É isso que a elite que manda em nós quer. Qualquer vírus serve de desculpa.

Apercebo-me que quem critica a realização da festa quase sempre não sabe a capacidade organizativa do PCP. Não foi aberta nenhuma excepção pela DGS à realização da Festa do Avante. Simplesmente o PCP consegue cumprir regras que os promotores de eventos não conseguem cumprir porque isso afetaria a sua margem de lucro. No capitalismo as coisas para darem lucro têm que ter má qualidade. Quando são feitas por amor, consegue-se aquele extra.

Esta capacidade organizava foi ilustrada pelas manifestações da CGTP no no 1º de Maio de 2020. Tanta gente criticou. E afinal… ninguém ficou doente. E já toda a gente se esqueceu … mas houve algo que ficou:

O que se ganhou com a realização da manifestação do 1º de Maio? Foi a primeira manifestação da era Covid-19 em Portugal. A partir daí começaram todas as manifestações (inclusive a belíssima grande manifestação anti-racismo que foi da Alameda ao Terreiro do Paço). Foi o 1º de Maio que permitiu isso. Ganhou-se que as pessoas perderam o medo de vir para a rua manifestar-se pelos seus direitos e contra os erros de quem nos governa. Ganhou-se que aqueles que querem reprimir quem tem a ousadia de fazer coisas ficaram sem argumentos. O 1º de Maio abriu o caminho.

A Festa do Avante vai abrir ainda mais.

 

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