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Lisboa atrai estudantes e expatriados. Como se integram?

© Raúl Reis / BOM DIA

Lisboa continua a atrair estudantes estrangeiros e expatriados, seduzidos pelo clima, pelo estilo de vida e pela possibilidade de conhecer pessoas de diferentes nacionalidades. No entanto, construir uma vida social na capital portuguesa nem sempre significa estabelecer ligações com a população local ou aprender a língua do país.

O caso de Elena Strohm, uma estudante alemã que está em Lisboa para realizar um estágio, é apresentado pelo jornal alemão Die Zeit como um exemplo desta experiência internacional. A jovem trabalha na área de marketing da Erasmus Life Lisboa, uma associação que organiza festas temáticas, atividades de lazer e saídas para praticar surf destinadas a estudantes estrangeiros.

O estágio não é remunerado e é financiado parcialmente por uma bolsa Erasmus de 900 euros, complementada pelos pais. Entre o trabalho, as saídas com amigos e as festas junto ao Atlântico, Elena vive intensamente a experiência de estudar e trabalhar no estrangeiro.

A sua vida quotidiana é marcada pela diversidade internacional. Os colegas com quem partilha casa são originários da Alemanha, Itália, Grécia e França, e a comunicação entre todos é feita em inglês.

“Infelizmente, só conheço as bases do português, como ‘olá’ ou ‘tchau'”, reconhece a estudante, citada pelo Die Zeit.

Apesar das limitações linguísticas, Elena aprecia o estilo de vida que considera mais descontraído do que aquele a que estava habituada na Alemanha. A experiência em Lisboa levou-a a querer prolongar a estadia e a procurar trabalho na capital portuguesa, embora reconheça a necessidade de aprender português.

A experiência de Elena ilustra também um fenómeno mais amplo: a dificuldade de criar relações sociais duradouras quando se chega a um país estrangeiro sem conhecer ninguém.

O jornal anglófono, baseado em Portugal, The Portugal News abordou recentemente esta questão, destacando as estratégias utilizadas pelos expatriados para construir uma rede de contactos em Portugal. Os grupos nas redes sociais, as comunidades no WhatsApp, a plataforma Meetup e os eventos presenciais estão entre os recursos que permitem conhecer outras pessoas e encontrar comunidades com interesses comuns.

Existem também plataformas menos convencionais, como o LuckyCrush, que permite realizar videochamadas individuais em direto. Alguns residentes estrangeiros recorrem a este tipo de serviço para conversar ou praticar expressões básicas em português, sem a formalidade de uma aula ou a obrigação de um encontro presencial.

Ainda assim, o contacto digital não substitui a importância dos encontros na vida real. Em Portugal, tem vindo a desenvolver-se um conjunto de iniciativas e serviços destinados a facilitar a integração social de expatriados e de pessoas que ainda estão a preparar a mudança para o país.

O The Portugal News sublinha que a construção de um círculo social sólido exige tempo e preparação. Os expatriados que conseguem estabelecer relações duradouras ao fim de um ou dois anos são, em geral, aqueles que dedicaram os primeiros meses a criar oportunidades de contacto e a desenvolver a sua rede de relações.

No caso de Elena Strohm, as saídas para praticar surf e as noites de música eletrónica ajudaram-na a encontrar rapidamente um grupo de amigos. Falta-lhe agora dar outro passo na integração: aprender a comunicar em português para além das palavras “olá” e “tchau”.

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