O novo filme de animação da DreamWorks “A Ilha Esquecida”, com o lusodescendente Dave Franco, presta homenagem à amizade e às memórias numa história com mitologia das Filipinas, mas que apela a um sentido de identidade que toda a gente reconhece.
“Cada personagem deste filme é uma exploração fantástica da amizade, das conexões e das memórias”, declarou o correalizador Joel Crawford, numa conferência de imprensa em Los Angeles em que a Lusa participou, em antecipação à chegada aos cinemas. A produção estreia-se na quinta-feira, 1 de outubro, nas salas portuguesas.
“Embora seja uma celebração da cultura filipina, quisemos garantir que a sensação do filme era a de estar numa festa onde se sente em família”, sublinhou Crawford. “Mesmo que não se saiba nada sobre a cultura, sente-se o amor, sente-se o calor, e isso foi uma parte importante da história”.
Em “A Ilha Esquecida”, as amigas inseparáveis Jo e Raissa (protagonizadas por H.E.R. e Liza Soberano, respetivamente) são transportadas para a ilha mítica de Nakali, uma parte importante do folclore e mitologia das Filipinas. Lá, fazem amizade com alguém que é meio humano, meio canino, Raww (Dave Franco) e as guia pela ilha cheia de perigos.
“Quer queira quer não, sou muito parecido com a personalidade do Raww”, disse Dave Franco na conferência de imprensa. “Em certos cenários posso parecer mais confiante do que sou naturalmente”, indicou, explicando que também possui uma lealdade muito forte às pessoas de quem gosta.
“No fundo, sou introvertido e o que quero mesmo é ficar em casa, na minha cama, com a minha mulher e os meus dois gatos, a ver um documentário” gracejou. “Sinto-me confortável na minha própria bolha, rodeado de pessoas que amo, que me amam e que realmente se preocupam comigo. Acho que isto é muito a cara do Raww”.
Franco, que tem raízes na ilha da Madeira através do avô paterno, imprimiu o seu estilo no personagem ao adicionar trejeitos e dizeres típicos da zona onde cresceu, no norte da Califórnia.
O filme de animação demorou seis anos a ser escrito e produzido e inclui muitos detalhes da vida pessoal do coargumentista e correalizador filipino Januel P. Mercado.
“Sabemos que a mitologia é tão rica que mal arranhámos a superfície e por isso escolhemos as nossas histórias favoritas, que as nossas famílias nos contaram”, disse o cineasta. “Os detalhes da cultura foram fáceis porque vêm da nossa experiência autêntica”, continuou. “Esteticamente, o macacão, o elástico do cabelo e isso são como os que a minha irmã Jo usava nos anos noventa”.
A ação passa-se precisamente entre os anos oitenta e noventa e por isso não inclui telemóveis nem redes sociais. “É uma carta de amor às Filipinas, às famílias e amigos e ao valor das memórias”, descreveu Mercado.
As duas atrizes escolhidas para protagonistas são também de origem filipina e identificaram-se muito com os seus papéis.
“Sabia que tinha uma ligação pessoal a esta história”, disse Liza Soberano, que tem dupla nacionalidade e vive em Los Angeles.
H.E.R., conhecida pela sua carreira na música, é filha de mãe filipina e cresceu com essa cultura em casa, nos Estados Unidos.
“Gosto muito da relação da avó com Jo e Raissa e como as encoraja a viver aventuras e a serem curiosas”, disse H.E.R. “Espero que os pais, filipinos ou não, absorvam isso desta história e percebam que qualquer pessoa pode ser família”.
“A Ilha Esquecida” conta ainda com Jenny Slate no papel de Batiba e Manny Jacinto como Bungi. É uma história da mesma dupla que realizou “O Gato das Botas: O Último Desejo”, em 2022.