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Debate em Bruxelas reforça importância da comunicação na diáspora portuguesa

© Tony Da Silva // Luso.eu

O jornal Luso promoveu, no passado dia 17 de novembro, no edifício da embaixada de Portugal na Bélgica, um painel de debate intitulado “Comunicar a Comunidade” focado no papel da comunicação na coesão da diáspora portuguesa, reunindo figuras públicas portuguesas de destaque.

O embaixador de Portugal na Bélgica, António Costa Moura, inaugurou a sessão do debate: “Hoje, o papel da comunicação na coesão das comunidades portuguesas não poderia ser mais pertinente: nós estamos num mundo definitivamente em transformação e onde as distâncias físicas persistem, mas as digitais diminuem; a informação, assume-se como um verdadeiro elo de ligação entre os portugueses espalhados pelo mundo”.

Segundo o jornal Luso, o embaixador destacou ainda que a diáspora portuguesa “não é periférica, mas central para o país que somos e para o país que ambicionamos construir”, realçando que todos, independentemente do lugar onde vivem, “servem a mesma bandeira”, considerando que cada português no estrangeiro é “um representante e um embaixador de Portugal”.

O evento reuniu especialistas e profissionais das áreas da diplomacia, política e comunicação portuguesas. Entre os participantes estiveram Sebastião Bugalho, Deputado ao Parlamento Europeu; Paulo Dentinho, jornalista e correspondente da RTP na Bélgica; e João Francisco Guerreiro, jornalista e correspondente da TSF na Bélgica.

A chefe de missão adjunta, Maria João Cocco, integrou igualmente o painel, trazendo a perspetiva institucional do Ministério dos Negócios Estrangeiros sobre o tema. De acordo com uma publicação feita pela embaixada de Portugal na Bélgica nas redes sociais, Maria João Cocco destacou “o papel da representação diplomática e consular de Portugal no exterior,” os desafios relacionados com os recursos disponíveis e “a importância crescente da comunicação e da adaptação da Embaixada às dinâmicas das redes sociais”, reconhecendo o seu potencial como instrumento essencial para melhor informar e servir a comunidade portuguesa residente na Bélgica.

“Uma iniciativa louvável e de grande mérito por parte do Jornal Luso, que reuniu múltiplas perspetivas e experiências, enriquecendo um debate muito pertinente e que contou com uma excelente participação de público.”, lê-se na referida publicação.

Sebastião Bugalho realçou que a diáspora portuguesa se sente há muito esquecida, evidenciado pelos resultados eleitorais no estrangeiro e lembrou problemas passados, como os que ocorreram nas legislativas de 2022 que obrigaram a repetir as votações do círculo da Europa. Além disso alertou para o excesso de centralismo em Portugal, que dificulta a inclusão de todas as regiões e comunidades. Para o eurodeputado pelo PSD, resolver estas questões implica estabilidade política e diálogo entre Governo e oposição, reforçando a necessidade de dar voz e representatividade aos portugueses fora do país.

Segundo o artigo do jornal Luso sobre o evento, Paulo Dentinho, trouxe ao painel uma reflexão sobre a escuta ativa, o papel dos media e o espaço ocupado pelos extremos. O jornalista e ex-diretor de informação da RTP, alertou para os riscos do fanatismo alimentado pelos algoritmos das redes sociais. Além disso, defendeu a necessidade de mediadores de informação, como os jornais, destacando que nem tudo o que circula online é credível. Paulo Dentinho criticou ainda lógica de fomentar audiências a qualquer preço e concluiu reforçando a importância da coesão da diáspora.

Já João Francisco Guerreiro deixou críticas aos formatos televisivos baseados em emissão contínua e comentários sem moderação, considerando que representam um “preenchimento barato de grelha”. Durante a sua intervenção, o jornalista da TSF referiu que atualmente a televisão privilegia o entretenimento disfarçado de informação. Comparando com a rádio onde trabalha, o jornalista considera que o problema não é o setor privado, mas o modelo editorial: emitir apenas por emitir, sem critério, “só para marcar presença”. Sobre a participação cívica da diáspora, e de acordo com o jornal Luso, “o orador relatou dois exemplos: um negativo, quando, durante eleições em França, encontrou muitos portugueses que nem sabiam que havia votação naquele dia; e outro positivo, lembrando o caso de Félix Braz, lusodescendente que chegou a Ministro da Justiça no governo do Luxemburgo”.

O evento foi moderado por Margarida Marante (colaboradora do jornal Luso) e contou com cerca de 70 participantes.

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